quinta-feira, 30 de julho de 2009

Jatobá

Seu Chico Aquino
Comunidade Quilombola do Jatobá
Patu - RN

quarta-feira, 29 de julho de 2009

Jatobá

Seu Sereno
Comunidade Quilombola do Jatobá
Patu - RN

II Reunião Equatorial de Antropologia

II Reunião Equatorial de Antropologia
Natal - 19 a 22 de Agosto de 2009
www.cchla.ufrn.br/REA2009

segunda-feira, 27 de julho de 2009

Narradores do sensível

A Revista Cronos é uma publicação do Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais da UFRN por meio impresso e digital. A versão eletrônica pode ser acessada, de forma integral e gratuita, pelo site: www.cchla.ufrn.br/cronos


O atual número da revista publicou o Dossiê Narradores do sensível. Além deste, demais artigos, resenhas, entrevistas, poemas, e resumos de dissertações e teses, defendidas no PPGCS.


Sumário:

A paixão pelo entendimento: Claude Lévi-Strauss e a universalidade da cultura.Edgard de Assis Carvalho – Pontifícia Universidade Católica de São Paulo


Merleau-Ponty e Lévi-Strauss: narradores do sensível?Abrahão Costa Andrade – UFRN


Claude Lévi-Strauss e a experiência sensível da Antropologia. Mariza Martins Furquim Werneck – Pontifícia Universidade Católica de São Paulo


Percepção e motricidade.Iraquitan de Oliveira Caminha – UFPB


Fenomenologia, educação física, desporto e motricidade: convergências necessárias.Wagner Wey Moreira – UFPA e Terezinha Petrucia Nóbrega – UFRN


Claude Lévi-Strauss e três lições de uma ciência primeira.Maria da Conceição Xavier de Almeida – UFRN


Sentir, olhar, ler, escutar: Claude Lévi-Strauss, Maurice Merleau-Ponty, narradores do sensível. Maria Isabel Brandão de Souza Mendes – CEFET/RN e Wani Fernandes Pereira – UFRN


Merleau-Ponty: o corpo como obra de arte e a inexatidão da verdade.Terezinha Petrucia da Nóbrega – UFRN


Merleau-Ponty e a história.Salma Tannus Muchail – Pontifícia Universidade Católica de São Paulo


Nação, estado e raça em Manoel Bomfim: a “impertinência” bomfiniana em torno da identidade nacional.Jean Carlo de Carvalho Costa – UFPB


Quadriálogo sobre Claude Lévi-Strauss e Merleau-Ponty.Edgard de Assis Carvalho – PUC-SP; Maria da Conceição X. de Almeida – UFRN e Terezinha Petrucia da Nóbrega – UFRN. Entrevistados por Alex Galeno – UFRN


Poemas.Sanderson Negreiros


O suplício do Papai Noel. Kesia Cristina França Alves – UFRN


Vida para consumo. A transformação das pessoas em mercadoria. Rejane Guedes Pedroza – UFRN


Dossiê Narradores do sensível. Revista Cronos. Natal: PPGCS/UFRN, 2009.

ISSN: 1982 5560.



domingo, 26 de julho de 2009

CD PONTOS DE JUREMA


A produção do CD Pontos de Jurema foi conduzida pela idéia de ser mais do que um registro sonoro de significativa manifestação da religião afro-brasileira em terra natalense, mas um documento que reverenciasse a memória de reconhecidos juremeiros, cujas trajetórias vida e religião se entrelaçam: Babá Karol, Geraldo Guedes, Geraldo do Caboclo e José Clementino. Estes mestres da Jurema e seus continuadores – Jeová, Cleone, Marcone, Claudinho, Melque, Rogério, representam tantos outros juremeiros do passado e do presente, que por limitações técnicas não puderam ser incluídos nesse trabalho.

O processo de reprodução fonográfica exige escolhas, como: definir o repertório e fazer as gravações. Optamos por registrar os cânticos que fossem emblemáticos da tradição e captar a diversidade da riqueza musical da Jurema. O fio foi então traçado pela memória dos mestres vivos, suas lembranças, as entidades espirituais por eles cultuadas, os pontos cantados em suas práticas, incorporando outros pontos cantados para os mestres e caboclos nas giras de Umbanda pela geração mais nova.

O processo de gravação e edição, fruto de parcerias e diálogos, foi iniciado agrupando representantes de comunidades de terreiros que fizeram suas gravações no Teatro Municipal Sandoval Wanderley, quando um estúdio foi montado para este fim. À medida que as gravações iam acontecendo, as transcrições das letras dos pontos catados eram revisadas com a ajuda de membros dos terreiros. Em um segundo momento, fomos aos terreiros, levando um estúdio móvel, que pudesse fazer as gravações. Nesta fase, mantivemos a sistemática do trabalho: cada representante do terreiro escolheria seu repertório e organizaria seu grupo para a gravação. Todo o material registrado nos diferentes encontros foi ouvido e analisado. A partir destas audições definimos o repertório final que compõe o CD. O resultado foi o registro etnográfico e sonoro de parte do universo da Jurema, em particular através de dezenas de pontos cantados. Mais que isso foi poder documentar a voz, o pulsar da vida, os diversos sons e as pérolas guardadas por esses velhos sábios mestres.

(Fragmento do texto de apresentação que fiz para o CD Pontos de Jurema – 2008).

Ficha Técnica
Direção Artística e de Produção: Dácio Galvão
Consultoria, Pesquisa e Fotografias: Luiz Assunção
Transcrição e Produção Executiva: Odinelha Targino
Produção Gráfica: Jussiê Costa e Flávio Leandro
Gravação, Mixagem e Masterização: Jota Marciano

Museu de Cultura Popular “Djalma Maranhão” – FUNCART
Coleção Documento Sonoro nº 10

Coração Vagabundo - Caetano Veloso, o filme

sábado, 25 de julho de 2009

Bordeaux com asas

Em 1999, ElianeTânia, publicou um bonito livro de poesias - Bordeaux com asas, de onde retirei...


delicadeza


de tudo quanto não dizes faço tramas e belo é o traço, e o tempo

são dedos que brincam sob as cobertas

palavrões delicados para ouvidos sonsos

que queres, criança,

não vês que amor é brinquedo de gente grande?

então, por quê me chamas?

desdobra-te em versos


Tânia é professora no Departamento de Antropologia da UFRN e além das aulas, gatos e poesias escreve nos blogs http://elosenos.blogspot.com e http://bronislawww.blogspot.com.

quarta-feira, 22 de julho de 2009

Escritos sobre o corpo



Nos últimos anos venho acompanhando as atividades realizadas pelo Grupo de Pesquisa Corpo e Cultura de Movimento, do Deptº de Educação Física da UFRN, seja participando dos seminários de pesquisa ou das bancas de conclusão de curso.


Recentemente a EDUFRN publicou o livro Escritos sobre o corpo, organizado pela professora Dra. Petrucia Nóbrega. Trata-se de uma coletânea produzida a partir dos trabalhos desenvolvidos por pesquisadores vinculados ao GEPEC e ao Programa de Pó-Graduação em Educação da UFRN.


O livro tem como referência central o conhecimento sobre o corpo na filosofia, na ciência, na arte, nas práticas corporais, na mídia, entre outros contextos sociais e educacionais. Como afirma a organizadora, estes escritos “traduz de forma mais intensa a idéia do corpo como referência primeira do conhecimento e a escrita como referência segunda, ambas entrelaçadas nas dimensões da cultura e da linguagem”.


O livro está organizado em sete capítulos:

1. O olhar, o corpo, a arte: uma narrativa fenomenológica – Terezinha Petrucia da Nóbrega;

2. A poética do corpo na dança butô – Larissa Kelly de Oliveira Marques Tibúrcio;

3. Dançar é educar: refazendo conexões entre corpo e estética – Karenine de Oliveira porpino;

4. Corpo e estética no bumba-meu-boi – Raimundo Nonato Assunção Viana;

5. Body art e existência: o conhecimento do corpo na Educação Física – Rosie Marie Nascimento de Medeiros;

6. Ideologia do ser saudável e cuidado de si – Maria Isabel Brandão de Souza Mendes;

7. Os agenciamentos do corpo na revista Saúde – Eduardo Ribeiro Dantas;

terça-feira, 21 de julho de 2009

segunda-feira, 20 de julho de 2009

ACAIS


Com a morte das netas de Maria do Acais, a propriedade foi vendida e a ação imediata do recente proprietário foi a demolição da área construída correspondente a residência e a destruição das juremas cultuadas pela família (ver foto da postagem do dia 13/07).

Diante da destruição de significativo patrimônio da religião afro-brasileira, particularmente para os juremeiros nordestinos, a FCP UMCANJU (Pai Beto de Xangô e Ana Júlia) e a Associação Malunguinho (Sandro Guimarães) deram entrada no IPHAN-PB do pedido de tombamento do sítio histórico e cultural do Acais.

Entre as atividades em defesa da cultura material e imaterial dos juremeiros, foi organizada a Passeata da Paz, que ocorreu no dia 20 de junho na cidade de Alhandra-PB. Um abaixo assinado com mais de 2000 assinaturas foi entregue ao IPHAN.

sábado, 18 de julho de 2009

Intolerância Atrás das Grades

Recebi da SOUESP uma mensagem escrita por Dr. Hédio Silva Jr. comentando sobre o caso das primeiras prisões por intolerância religiosa no Brasil (ver postagem dia 07/07).


Intolerância Atrás das Grades


No último mês de junho a Justiça carioca determinou a prisão de duas pessoas acusadas de discriminação contra as Religiões Afro-brasileiras. Foram presos o Pastor Tupirani da Hora Lores e o fiel Afonso Henrique Alves Lobato, ambos da Igreja Geração Jesus Cristo.


Em 2008 Afonso Henrique já havia sido acusado de invadir e depredar um Terreiro de Umbanda na Z. Norte do Rio. Não bastasse isso, a dupla publicou na internet uma mensagem em que atacava as leis, as Religiões Afro-brasileiras, as polícias Civil e Militar e as Forças Armadas.


Ao tomar conhecimento da mensagem a Comissão de Combate à Intolerância Religiosa, do Rio de Janeiro, acionou as autoridades e exigiu a punição dos criminosos. Foi assim que pela primeira vez na história alguém acusado de discriminação contra as Religiões Afro-brasileiras foi parar na cadeia.


Merece nosso aplauso o trabalho do Babalaô Ivanir dos Santos e de todas as lideranças religiosas e autoridades públicas que compõem a Comissão de Combate à Intolerância Religiosa, do Rio de Janeiro. A atuação da Comissão e das autoridades foi fundamental para que este caso se tornasse um exemplo e um sinal de esperança para todo o país. Também é verdade que esta vitória pertence a todo o Povo de Santo, a todos que lutam contra o racismo, a discriminação e a intolerância religiosa.


Ninguém pode ser discriminado em razão de credo religioso.


No acesso ao trabalho, à escola, à moradia, à órgãos públicos ou privados, não se admite tratamento diferente em função da crença ou religião.


O mesmo se aplica ao uso de transporte público, prédios residenciais ou comerciais, bancos, hospitais, presídios, comércio, restaurantes, etc.


A mais alta Corte brasileira, o Supremo Tribunal Federal, já decidiu que a discriminação religiosa é uma espécie de prática de racismo. Isto significa que o crime de discriminação religiosa:


1. é inafiançável (o acusado não pode pagar fiança para responder em liberdade);


2. é imprescritível (o acusado pode ser punido a qualquer tempo).


A pena para o crime de discriminação religiosa pode chegar a 5 anos de reclusão, conforme previsto na Lei 7.716/89, conhecida como Lei Caó.


No caso de discriminação religiosa a vítima deve procurar uma Delegacia de Polícia e registrar a ocorrência. O Delegado de Polícia tem o dever de instaurar inquérito, colher provas e enviar o relatório para o Poder Judiciário.


No estado de São Paulo temos a Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância, criada na gestão do governador Geraldo Alckmin.


A DECRADI, como é conhecida, possui uma equipe de policiais especializados nestes tipos de crimes e atua em todo o estado, capital e interior. A Delegada Titular, Dra. Margareth Barreto, é uma profissional que se destaca pelo diálogo com a sociedade civil, com as entidades representativas das Religiões Afro-brasileiras e demais movimentos sociais que lutam contra a discriminação. Vários foram os eventos da Umbanda e do Candomblé que contaram com a presença e a valiosa contribuição da Dra. Margareth Barreto.


Voltando às prisões ocorridas no Rio, duas lições merecem atenção:


1. vale a pena lutar, conscientizar o Povo de Santo, acreditar nas leis e nas instituições;


2. quanto maior a mobilização do Povo de Santo mais atentas ficarão as instituições e maiores serão as chances de combatermos a intolerância religiosa.


Tupirani e Afonso já foram colocados em liberdade mas irão responder ao processo penal por discriminação religiosa. Se condenados, perderão os benefícios da primariedade e aprenderão a respeitar as Religiões Afro-brasileiras.


Parabéns à Justiça brasileira. A propósito, anote e guarde consigo os contatos da Decradi:

Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância. R. Brigadeiro Tobias, 527, 3º and., Bairro da Luz. Fone: 3311-3555/3311-3556/3311-3557/3311-3558, São Paulo-SP.


Dr. Hédio Silva Jr., Advogado, Mestre em Direito Processual Penal e Doutor em Direito Constitucional pela PUC-SP, ex-Secretário de Justiça do Estado de São Paulo (governo Alckmin). Diretor Executivo do CEERT – Centro de Estudos das Relações de Trabalho e Desigualdades.


Este e-mail pode e deve ser redistribuido a todos, no entanto mantenha a autoria e fonte original. Alexandre Cumino: Jornal de Umbanda Sagrada.

sexta-feira, 17 de julho de 2009

Jurema



Jurema - Comunidade quilombola do Jatobá - Patu/RN
(Foto: Luiz Assunção)

Duelo

Ainda é cedo

Para te proclamar livre.

Já é tarde

para adiar teu vôo.

Não renuncio a ti

ao teu montanhoso dorso

onde em cada curva

travo uma luta.

Às vezes sou vencida

Pelo silêncio de granito.

O que há na vida que eu não te sirva?


Marize Castro. Fragmento da poesia Duelo publicada no livro Marrons, crepons, marfins.


Marize Castro, natalense, jornalista, poeta, escritora. Publicou: Marrons, crepons, marfins (1984), com o qual ganhou o Prêmio de Poesia da Fundação José Augusto em 1983; Rito (1993); Esperado ouro (2005); Além do nome (2008). Recebeu o Prêmio Othoniel Menezes (1998). Foi editora do jornal cultural O Galo (1988 a 1990) e atualmente é editora da UNA.

quinta-feira, 16 de julho de 2009

Viagens

Comparativamente à maioria dos professores universitários, sou um grande viajante. Mesmo assim, as algumas centenas de milhares de quilômetros que percorri na Terra são bem pouco em relação ao que sonhei na minha infância! Por motivos materiais, comecei a viajar muito tarde. Mas pouco importa: as viagens que se multiplicaram na minha idade madura satisfaziam uma necessidade muito profunda do meu eu nômade; além disso, uma relação profunda deve existir para mim entre elas e o ensino: talvez a mesma relação que há, no plano da escrita, entre meus trabalhos eruditos de caráter histórico e a ficção. Eu poderia ainda me perguntar: não há uma ligação direta entre viagem e ficção? Sou tentado a responder afirmativamente. Assim, observo, de uma viagem a outra, curiosas mudanças de comportamento: ou tomo notas cada dia, ou levo um diário, tiro fotos; outras vezes não o faço senão de maneira irregular e parcial; outras vezes, absolutamente nada. Com o correr dos anos, o absolutamente nada é o que se impõe. Não é este o indício de que alguma coisa se recusa a que a viagem se torne o substituto do que quer que seja, em todo caso, o substituto do lugar onde se está? O indício de que uma convicção se faz clara: a viagem deve manter-se puro nomadismo? Ora, é em nome disso que a viagem habita em mim, depois de vinte anos, a ficção... e inversamente.

Paul Zumthor – Escritura e Nomadismo