sábado, 4 de julho de 2009

CINEASTA IRANIANO É PRESO POR “EXCESSO DE CRÍTICAS”

Depois da festejada participação de Bahman Ghobadi no recente 62º Festival de Cannes, onde o seu poderoso documentário KASI AZ GORBEHAYE IRANI KHABAR NADAREH/ NO ONE KNOWS ABOUT PERSIAN CATS abriu a seção Un Certain Regard (Jornal da Mostra nº 635) e de lá saiu com o Prêmio Especial do Júri, pouca gente soube do destino do cineasta. Pois, segundo revelação do jornal de entretenimentos britânico Screen International, Ghobadi foi preso assim que deixou Cannes de volta para o Irã e só foi libertado sob pagamento de fiança em 9 de junho. O argumento do regime para prender o cineasta: “excesso de críticas”.

Bahman Ghobadi, de origem curda, é o cineasta iraniano que mais tem acumulado prêmios internacionais e também o que mais se expõe para desafiar as ultraconservadoras autoridades religiosas do seu país. Seu nome está também ligado ao da jornalista americana Roxani Saberi, noiva de Ghobadi e co-roteirista de NO ONE KNOWS ABOUT PERSIAN CATS. Ela foi condenada a oito anos de prisão sob acusação de espionagem, solta pouco antes do início do Festival de Cannes com os protestos e pressões internacionais.

De fato, ao revelar a mobilização clandestina dos jovens iranianos inconformados com o conservadorismo do regime, o seu filme, realizado igualmente na clandestinidade e em apenas 17 dias, antecipou a insurreição e a desobediência civil que se espalhou pelo Irã logo após os resultados contestados das eleições presidenciais. O filme observa como jovens se mobilizam através da internet para ouvir bandas de rock, rap e hip-hop em concertos e reuniões não autorizadas pela violenta censura moral aplicada pelo regime dos aiatolás. Graças a ajuda da produtora francesa Wild Bunch, o novo filme de Ghobadi escapa desta censura de expressão e poderá ter distribuição internacional.

Jornal da Mostra Internacional de Cinema de SP, n°646, 30/06/2009.

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