segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Fandango – patrimônio da cultura potiguar



O grupo folclórico Fandango, da cidade de Canguaretama-RN é o primeiro selecionado pela Lei do Patrimônio Vivo, devendo receber do Governo Estadual apoio financeiro mensal.

O Fandango, também conhecido como marujada ou barca, é um auto dramático inspirado nas grandes aventuras marítimas dos portugueses e conta a história de um barco perdido no oceano, pelo tempo de “sete anos e um dia”. O auto é representado numa barca de madeira e seus integrantes cantam e dançam, narrando acontecimentos vividos durante a travessia: as tempestades e calmarias, a fome, os motins, a tentação diabólica e a intervenção divina. A tripulação é formada por aproximadamente quarenta brincantes, chamados de marujos, entre oficiais e marinheiros.

A narrativa é contada através das 24 jornadas, um conjunto de partes temáticas, como a conhecida Nau Catarineta, que relata o caso da nau à deriva sete anos e um dia no mar, para destacar a idéia da distância e ininterruptibilidade da marcha, como ensina Câmara Cascudo em relação à fórmula construída no romanceiro ibérico.

Bela Nau Catarineta
Dela vos venho contar
Ouvi agora senhores
Oh! Tão linda
Uma história de pasmar

Ricardo Canella, meu orientando no Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais da UFRN, vem nos últimos quatro anos realizando pesquisa na região de Canguaretama, junto aos grupos do Fandango, Chegança de Barra do Cunhaú e os Marujos de Vila Flor. Segundo seus dados, o Fandango existe desde meados do século XIX e entre os seus primeiros organizadores estão: Manoel Francisco de Andrade (Manoel Lima) e Genésio Mangabeira. Depois vieram Antônio de Andrade (Antônio Lima) e Geraldo Costa. Atualmente o grupo é organizado por José Manoel do Nascimento Filho (mestre Zé Dinar) e Kleber Pinheiro.

As imagens publicadas pertencem ao Acervo do Grupo Fandango de Canguaretama e do pesquisador Ricardo Canella.


Um comentário:

  1. Gostei, pois não temos sites que tratem do patrimônio cultural potiguar.

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