segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Ilê Axé Opô Afonjá



Na Reunião da SBPC de 2001, em Salvador, Bahia, o professor Reginaldo Prandi organizou o Simpósio Afrodiversidade no Brasil, do qual participei juntamente com outros colegas professores, entre os quais Ari Pedro Oro (UFRGS) e Mundicarmo Ferretti (UFMA). Penso que a proposta temática e o fato de estarmos em Salvador, contribuíram para uma ocorrência significativa ao anfiteatro e o seu entorno, onde um sistema de som transmitia as comunicações. Lembro do intenso e caloroso debate. Foi também naquela reunião que o professor Prandi recebeu o Prêmio Érico Vanucci pelo conjunto de sua obra acadêmica dedicada aos estudos da religião afro-brasileira.


Mas, aquele convite a SBPC levou-me a conhecer o Ilê Axé Opô Afonjá. O professor Reginaldo Prandi tinha conseguido agendar uma visita e junto com ele, seguimos, eu, Mundicarmo Ferretti e Paulo Monteiro em direção ao Axé.


O Ilê Axé Opô Afonjá, candomblé de nação Keto, fica localizado no bairro de São Gonçalo, cidade de Salvador. Foi fundado em 1910 por Eugenia Anna dos Santos, Mãe Aninha, Obá Biyi. O Axé Opô Afonjá se liga pela origem ao Ilê Axé Iá Nassô Oká, o Terreiro da Casa Branca do Engenho Velho, de onde também se originou o Gantois. Guardiã da tradição ioruba, Mãe Aninha foi considerada como uma sacerdotisa sempre adiante do seu tempo, como o papel que exerceu na aproximação entre a Nigéria e a Bahia. Esta marca esteve presente na ação de suas sucessoras, Mãe Senhora e Mãe Stella.


Mãe Stella, Maria Stella de Azevedo Santos, Ode Kayode, é atualmente a sacerdotisa responsável pelo Ilê Axé Opô Afonjá.


Ao chegar ao Axé Opô Afonjá observo que a casa de Xagô, patrono do Axé, está localizada estrategicamente bem no centro do terreno, mas o que chama atenção é a organização do espaço religioso. De um lado, a Escola Eugenia Anna dos Santos, o Museu Ohum Lailai, algumas residências da família-de-santo. De outro, as casas dos orixás. Paralelos às atividades religiosas são realizados um conjunto de ações sociais que atendem não apenas aqueles filiados a casa religiosa, mas a comunidade do entorno.


No Museu conhecemos a história do Axé, contada através de fotografias, paramentos e demais objetos ritualísticos. Guardo com zelo dois objetos que adquiri neste local, uma peça de ferro contendo as ferramentas de Ogum e um colar de contas – guia – na cor azul escuro representando Ogum. A iaô que nos conduzia pelo Axé cuidadosamente lavou com folhas de Ogum o colar que em seguida foi colocado em meu pescoço.


Em 1998 o Ilê Axé Opô Afonjá foi tombado pelo Ministério da Cultura como patrimônio histórico e cultural do Brasil.

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