sábado, 28 de novembro de 2009

Desagravo em favor dos quilombolas abre Congresso Brasileiro de Folclore em Vitória/ES

O mestre do Ticumbi de Conceição da Barra (norte do Estado do ES), Terto Balbino e o líder quilombola Berto Florentino, realizaram um ato de desagravo a favor dos quilombolas, durante a abertura do Congresso Brasileiro de Folclore, nesta terça-feira (25), na Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes). A iniciativa é contra a violência praticada pela Polícia Militar (PM), em operação que prendeu 28 quilombolas, arbitrariamente, no último dia 11. Presente à solenidade, o vice-governador Ricardo Ferraço (PMDB) se comprometeu a apurar as responsabilidades.


Terto ressaltou que atitudes como essas são inconcebíveis, lembrando ainda das três prisões já sofridas pelo contramestre do Ticumbi e a liderança do norte do Estado, Berto Florentino, respeitado e lutador, e que enfrenta dificuldades em sua minúscula propriedade para sobreviver.


Na operação do dia 11/11, a polícia foi à casa de Berto Florentino e o acusou de participar da “máfia das madeiras”, aplicando-lhe uma multa de R$ 3,6 mil, devido à existência de um forno para a produção de carvão na região. Em seguida, jogou seus móveis no chão, e levou a família inteira à delegacia. Ações semelhantes já haviam sido registradas outras duas vezes.


Berto reside na comunidade de Domingos do Norte, e está marcado para morrer. Além de integrar o Ticumbi, lidera a colheita de sobras de eucalipto da Aracruz, que é lixo para a empresa. É, portanto, um dos principais alvos da transnacional.

Os restos de eucalipto são usados pelos negros para produção de carvão, única atividade que restou às comunidades negras do antigo território do Sapê do Norte, que integra os municípios de Conceição da Barra e São Mateus, após a chegada da Aracruz, na ditadura militar. Sem alternativas de subsistência, resultado dos impactos ambientais, sociais e econômicos promovidos pela transnacional, é de onde tiram alguma fonte de renda para sobreviver, em meio aos eucaliptais.


O caso mais recente dos abusos contra os negros foi levado ao conhecimento do Ministério Público Federal (MPF), à Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir) e Secretaria de Estado de Justiça (Sejus), mas ainda sem providências. Inquérito instaurado pelos procuradores da República de São Mateus Júlio de Castilhos e Leandro Botelho Antunes investiga se houve violações aos direitos humanos nas prisões. O órgão reconhece a ausência da amparo legal na ação.


Fonte: Fragmentos da matéria publicada no Boletim Informativo do Koinonia.

http://www.koinonia.org.br/oq/noticias

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