terça-feira, 3 de novembro de 2009

O Fandango de Canguaretama/RN

Nos últimos quatro anos venho acompanhando o trabalho de pesquisa de Ricardo Canella junto ao Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais – nível doutorado, da UFRN. Trata-se do estudo sobre o Fandango de Canguaretama/RN, auto da tradição, considerados como um dos mais importantes grupos folclóricos do estado.

Vejamos o resumo da Tese:

A partir das grandes navegações iniciadas na Península Ibérica, no século XV, foi instituído um grande número de narrativas que hoje reverberam nas vozes performadas dos brincantes da cidade de Canguaretama-RN. Vozes que vieram ao som das ondas e dos ventos, a bordo de naus, através do mar e, desembarcaram nessas terras e continuam a nos contar, através do que se designou chamar Fandango, as peripécias das longas travessias marítimas. E o objetivo da presente tese é reconhecer esse campo, como um campo poético performático e, assim, interpretar suas poéticas conhecendo, através da voz, da presença ativa de corpos brincantes, como se produz, se cria e se forma a brincadeira, o que nele é poeticamente comunicado e, assim, evidenciar uma forma peculiar de um modelo teatral eminentemente popular. Apreender o sentido desse fazer, diante das dificuldades e precariedades de recursos para realizá-la é, também, compreender a função da voz poética para a manutenção e coesão do próprio grupo e de sua comunidade, pois ela é o que de certo os une e permite a sociabilidade, revelando uma relação entre a vida e a sua expressão artística, ligando-os à festa, ao jogo, ao brincar.

O caminho percorrido nessa pesquisa foi o de valorizar a experiência e a habilidade dos informantes, observando a relação dialógica entre tempo e espaço, entre passado e presente. Uma metodologia de que desse conta dos fragmentos que alimentam a memória, observando os ensinamentos e aproximações entre a história que se conta e a historicidade desses sujeitos, o que eles vivenciam; os fluxos e refluxos de indivíduos e suas histórias singulares; os registros históricos e das próprias narrativas poéticas dos naufrágios e o “naufrágio” de sua barca para brincar a sua brincadeira; as esperanças de chegar a um porto seguro e de ver seu brinquedo dar certo; apresentar-se e ter um espaço reconhecido diante das instituições estabelecidas e de sua comunidade.

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