domingo, 20 de dezembro de 2009

Encanteria

Encanteria é o nome do mais recente CD de Maria Bethânia. Não é um CD com pontos de umbanda ou candomblé como o nome pode sugerir, mas é repleto de referências ao universo religioso afro-brasileiro. Bem produzido musicalmente, destaca-se pela pesquisa que demonstra a riqueza desse universo múltiplo, incluindo os sambas de roda da Bahia. Traz composição de autores já conhecidos, como Paulo César Pinheiro (um dos preferidos de Clara Nunes), Vanessa da Mata e Roque Ferreira, como também de jovens compositores, entre eles Vander Lee.


Abre o CD com uma prece para Santa Bárbara para em seguida assumir suas origens:


Fui feita na Bahia

Num terreiro de Oxum


Continuando o percurso chega a um terreiro de caboclo (ou quem sabe, uma casa de jurema?):


Vi seu Aimoré

Seu coral, vi seu Guiné

Vi seu Jaguaré

Seu Araranguá

Tupaíba eu vi

Seu Tupã, vi seu Tupi

Seu Tupiraci

Seu Tupinambá


Vi seu Pena Branca rodopiar

Seu Mata Virgem

Seu Sete Estrelas

Vi seu Vira Mundo me abençoar

Vi toda falange do jurema

Dentro do meu gongá


Passa pelos sambas de roda, canta um amor ausente e fecha o CD com uma canção (a canção é meu pecado, a canção é meu estado, a canção é meu bailado, a canção é meu sossego), como que assumindo o dom de cantar, como deixa claro na música “Feita na Bahia” (composição de Roque Ferreira):


Um velho preto alaketo

Me disse que foi

Lá de Keto que eu vim

Eu já vim predestinada

Pra cantar assim

Sou iluminada, eu sou

Sou de Keto sim

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