domingo, 21 de março de 2010

Memória e oralidade como reflexão

Esses dias tenho andado muito cheio. Além das atividades cotidianas, esta semana iniciei o semestre letivo nos cursos de pós-graduação em ciências sociais e antropologia (níveis de mestrado e doutorado). A disciplina chama-se “Memória e Oralidade” e tem como objetivo refletir sobre os conceitos de memória, tradição e oralidade em autores como Henri Bergson, Maurice Halbwachs, Georges Balandier, Paul Zumthor, Walter Benjamin, entre outros.

O primeiro dia de aula não foi diferente dos semestres anteriores, é sempre um dia de tensão e ansiedade, parece véspera e dia de estréia. E não deixa de ser: terei uma espécie de palco, uma nova platéia para interagir e um enredo para ser exposto. Preparei a aula, arrumei os livros, organizei os materiais didáticos de apoio. Tudo estava sob controle, mas uma série de questões me vinha à mente: Como é a turma? Por que fizeram matrícula em meu curso? Qual o interesse? Será que tem algum aluno chato, tipo aquele que dar vontade de você mandar ir embora? Enfim, como será a recepção e o estímulo para se continuar na descoberta e encantamento da arte de ensinar?

Embora desde as férias de janeiro que venho preparando o curso, as atividades não cessam, ao contrário, é reler os autores, fazer os fichamentos, preparar os roteiros de aula. Foi isso também o que fiz neste final de semana, tendo como foco Bergson e sua teoria sobre a memória e o papel da lembrança. Agora a tarefa fundamental é organizar os vários compromissos que tenho a cumprir (como por exemplo, o Blog) e manter a dinâmica da trajetória da vida.

Gosto muito de lembrar um comentário de Paul Zumthor sobre seu trabalho no ensino: “Como todo mundo, tive de lutar contra certas dificuldades da profissão, mas desde que me tornei mestre de meus instrumentos passei a ensinar com prazer...”.

4 comentários:

  1. Parabéns pelo inívio de mais um ano letivo. Sei que será um sucesso, pois tê-lo como professor é, sem dúvida nenhuma, um privilégio que aos poucos todos vão compreendendo.
    Vida Longa, Mestre Assunção.

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  2. Obaositala, muito obrigado pelas palavras. Muita paz para vc. Abraço, Luiz Assunção.

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  3. 1º dia de aula é mesmo sempre tenso. Tenho a sensação de que estão espremendo meu estômago como se fosse um cacho de açaí...rsrsr. O olhar curioso dos outros alunos, o professor com cara de brabo, eu com cara de dor, eles os "estabelecidos", eu a "outsider"...e na primeira pergunta que me é feita as palavras engasgam na garganta e no pensamento. Égua! Eu tinha tanta coisa pra falar, mas...espera um pouco...que sensação boa...a dor foi embora e deu lugar ao contentamento. Eis o poder das palavras se manifestando. É bom estar entre vocês!

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  4. Lanna: que bom saber seu comentário... Seja bem vinda. Grande abraço, Luiz.

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