terça-feira, 20 de abril de 2010

Hilda Hilst

A escritora paulista Hilda Hilst faria 80 anos no dia 21 de abril. Escreveu poesia, ficção, crônica, teatro. Entre seus temas preferidos estavam à morte, a redenção, Deus. Passou anos em luta contra o esquecimento e o desdém da crítica.

Em 1950 lança seu primeiro livro e continua escrevendo até o final de sua vida, em 2004. Sua obra foi traduzida para o alemão, espanhol, francês, italiano e o inglês. Seu livro de poemas Da morte. Odes mínimas, de 1980, teve uma edição bilíngüe português/francês.

Foi agraciada com vários prêmios, entre eles: o Prêmio Jabuti, da Câmara Brasileira do Livro (1983 e 1996), o Prêmio Moinho Santista, categoria poesia (2002), o Grande Prêmio da Crítica, da Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA), na área de literatura, (2003).

São vários os estudiosos que tem se dedicado a analisar sua obra, como o crítico Anatol Rosenfeld e o professor da Unicamp Alcir Pécola, organizador da obra de Hilda no livro Teatro Completo. Zeca Baleiro musicou os poemas da autora em seu CD Ode descontínua para flauta e oboé.

“A única coisa que eu pude fazer na vida foi escrever, porque é a única coisa que eu sei fazer mesmo. Dizem que eu sou megalômana. Sou. Meu texto de ficção é deslumbrante, é da pessoa ficar gozando o tempo todo. O meu teatro continua às moscas, todo inédito. (...) Poesia é algo especial. Subitamente você sente alguma coisa diferente. O João Cabral fala horrores da inspiração, mas existe, sim, inspiração. Você fica mesmo com febre quando a poesia acontece. Durante alguns dias você fica tomado por alguma coisa que você não sabe o que é, com uma espécie de febre interior. Quando eu releio as minhas poesias, me dá uma comoção de ter escrito aquilo. Eu me acho deslumbrante como poeta e como escritora”.

(entrevista de Hilda Hilst para a Revista Cult em julho de 1988).

Túrgida-mínima

Como virás, morte minha?

Intrincada. Nos nós.

Num passadiço de linhas.

Como virás?

Nos caracóis, na semente

Em sépia, em rosa mordente

Como te emoldurar?

Afilada

Ferindo como as estacas

Ou dulcíssima lambendo

Como me tomarás?

(do livro Da morte. Odes mínimas)

Site oficial da escritora: www.hildahilst.com.br

Um comentário:

  1. Aaaaah, isso foi pra mim! O aniversário é da Hilda, mas quem se sentiu homenageada fui eu. Adoro ela! Já postei alguns poemas dela no meu blog e tenho alguns livros dela aqui. Grande poeta, grande escritora, mulher interessantíssima.

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