quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Maria Rita Kehl demitida do jornal Estado de SP após publicar texto

A psicanalista paulista Maria Rita Kehl, reconhecida intelectual seja por suas contribuições à sua área de estudos e trabalho quanto às lutas políticas pela liberdade, democracia e contra os preconceitos sociais e de gênero, foi demitida na tarde de terça-feira, dia 05, pelo conselho editorial do jornal Estado de São Paulo por causa do artigo que publicou no sábado, véspera da eleição presidencial.


O artigo, denominado “Dois pesos...”, inicia ressaltando a atitude do jornal Estado de São Paulo que explicitou seu apoio ao candidato Serra na presente eleição. No entanto Maria Rita Kehl vai desenvolver uma análise do Governo Lula e o papel político das classes, inclusive aquelas denominadas D e E, no contexto atual.


A reflexão parte de algumas mensagens correntes na internet e ao contrário do que falam essas mensagens, a autora mostra ponto por ponto como o Brasil mudou: “Mas ao contrário do que pensam os indignados da internet, mudou para melhor”.


Continuam pobres as famílias abaixo da classe C que hoje recebem a bolsa, somada ao dinheirinho de alguma aposentadoria. Só que agora comem.


Vale mais tentar a vida a partir da Bolsa-Família, que apesar de modesta, reduziu de 12% para 4,8% a faixa de população em estado de pobreza extrema. Será que o leitor paulistano tem idéia de quanto é preciso ser pobre, para sair dessa faixa por uma diferença de R$ 200?


O texto escrito com rigor e numa linguagem clara merece ser lido na sua totalidade.


Em seu ultimo parágrafo afirma: Agora que os mais pobres conseguiram levantar a cabeça acima da linha da mendicância e da dependência das relações de favor que sempre caracterizaram as políticas locais pelo interior do País, dizem que votar em causa própria não vale. Quando, pela primeira vez, os sem-cidadania conquistaram direitos mínimos que desejam preservar pela via democrática, parte dos cidadãos que se consideram classe A vem a público desqualificar a seriedade de seus votos.


A partir da publicação do texto de Maria Rita Kehl e sua conseqüente demissão fica uma pergunta: qual é a liberdade de imprensa que os jornais reivindicam?


Para ler o texto acessar o jornal Estado de São Paulo no link:

http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20101002/not_imp618576,0.php
 

3 comentários:

  1. Liberdade de imprensa sim, desde que o jornalista não vá de encontro à linha editorial da casa onde labora. Dois pesos e uma medida e duas medidas.

    ResponderExcluir
  2. Pois é, curiosa noção de liberdade de imprensa: só para os patrões! haha!! Mas, uma coisa não se pode negar: o Estadão abriu o jogo, em todos os sentidos.

    ResponderExcluir
  3. Os donos de jornais conservadores, como o
    o jornal Est. de S.Paulo, exigem dos seus
    jornalistas, matérias para vender o seu
    produto, atropelando todo mundo e depois
    querem liberdade de expressão, convocando
    assim alguns juristas e intelectuais, para
    fazer o ôba,ôba jogando assim a população,
    contra aqueles que se defende desta maldita
    imprenssa marrom.

    ResponderExcluir