sábado, 2 de outubro de 2010

O compromisso com os movimentos sociais

Nesse dias de campanha política sabemos que é possível encontrar um desses pretendentes a carreira legislativa nos mais diferentes lugares, inclusive naqueles espaços que em outro contexto provavelmente ele não iria – como no terreiro ou barracão. Agora se apresenta como amigo. Acha bonito o ritual. É possível até ensaiar uns passos e cantarolar uns pontos. Mas será que em outra situação ele (o pretendente a político) estaria por perto? Freqüentaria as giras e as festas?

É bom não esquecer: com quais poucos contamos quando o terreiro ou o barracão é alvo dos vizinhos e daqueles que nos olham como inimigos, desrespeitando nossos espaços sagrados? Que faremos quando fecham nosso espaço? Quando temos que fazer a via cruces das delegacias e processos? Todos nós sabemos e conhecemos vários casos e das dificuldades para resolvê-los. Nessas situações, será que contamos com algum político? Qual deles tem a coragem de assumir a defesa de uma prática religiosa discriminada pela sociedade?

Deveríamos nos perguntar sobre quem é a favor do Plano Nacional de Proteção à Liberdade Religiosa? (plano que mais uma vez teve seu anúncio protelado, inclusive com o apoio da bancada evangélica). Só para lembrar, esse plano legalizaria os imóveis em que funcionam terreiros de umbanda e candomblé, além de prever o tombamento de templos das religiões de matriz africana.

As questões são muitas. É bom não esquece-las. Poderíamos até amplia-las e buscar saber quais os políticos do congresso nacional que se colocam contra o Decreto Presidencial nº 4.887/2003, que regulamenta o Artigo 68 do ADCT da Constituição Federal, sobre o reconhecimento de direitos de propriedade da terra das comunidades quilombolas.

Por fim, é bom lembrar que embora as religiões de matriz africana no Brasil, salvo raras excessões, não possuem representantes/candidatos saídos do seu quadro religioso, existem aquelas pessoas que construíram uma carreira política dedicada a defesa das questões sociais e humanitárias. São pessoas comprometidas com o movimento social e que, sem dúvida, tem ajudado a construir um novo Brasil. É importante que esse processo de conquista não seja esquecido. Amanhã, nosso voto deve ser confiado a essas pessoas.

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