domingo, 2 de janeiro de 2011

Chegou pesado
Atirava-me ao chão
Imobilizava-me

Não havia controle
Tomava o meu corpo
Eu não tinha posse de mim

Apresentava-se sevo
Maltratava-me o espírito
Lanhava-me a carne

Ocultei-o num otar
Pedrinha de fogo
Por tempos o alimentei

Curiei
Acariciei com fogo
Azeite, destilado e fumo
Não precisou de urtiga

Ensinamos um ao outro
A delicadeza do cuidado
Conquista-se com o tempo

A confiança é um espelho
Onde nos enxergamos no outro
Entregamos apenas aquilo que desejamos

Agora ele guarda a minha porta
Se adormeço é a sentinela
A mais vigilante

A primeira hora
Despejo o água na rua
E por fim firmo o pendão
Para lhe clarear os caminhos

Existe em minha providência
Corre gira, meu velho
Descubra os segredos e engane os olhos
Dos meus inimigos

(Laços firmados - Maria Cecília Vasconcelos)

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