quarta-feira, 18 de maio de 2011

O Guerreiro toma o poder das mulheres

Os homens se sentiam então muito poderosos, mas as mulheres, pela tradição, ainda os dominavam.

Naquele tempo de tantas transformações, as mulheres eram governadas por Iansã, guerreira destemida que conhecia o segredo do fogo e sabia como botar labaredas pela boca.

Um dia os homens decidiram tomar para si o poder e escolheram ogum para enfrentar Iansã e tomar para si o domínio que as mulheres controlavam.

Ogum, o Guerreiro, aceitou a missão e se vestiu com suas férreas armaduras de combate, couraça, capacete e caneleiras, e se armou de escudo, espada e lança.

Homens e mulheres viviam em mundos separados e não havia confiança nem solidariedade entre eles. As mulheres sempre se reuniam com Iansã numa clareira e ali passavam horas e horas falando mal de seus maridos e se divertindo com os castigos que a eles infligiam. Ali elas planejavam como assustar seus esposos, sempre que eles ameaçavam o poder feminino. Ejiologbom não soube explicar direito, mas disse que as mulheres, chefiadas por Iansã, tinham um macaco vestido de gente que assustava os homens, fazendo caretas e cenas admiráveis.

Pois lá estavam elas a conversar e a rir na clareira quando Ogum surgiu do meio do mato vestido para a guerra.

A aparência do Guerreiro era assustadora, pois não há neste mundo uma só pessoa que seja capaz de encarar a guerra de frente sem tremer.

Em pânico, as mulheres se puseram de pé e se dispersaram numa desordenada correria, fugindo em busca de proteção. Muitas correram tanto que nunca mais foram vistas por ninguém. Outras foram viver com os homens, dos quais receberam abrigo e proteção.

Iansã tentou resistir e foi vencida por Ogum.

Mas ele não usou a espada contra Iansã, ele se casou com ela.

Quando Ogum foi feito rei, ele fez Iansã sua rainha.

Desde então o poder pertenceu aos homens.

Mas sempre que Ogum saía para a guerra ele levava Iansã para lutar junto com ele.

Todos os homens gostam muito dessa história.

Naquele dia, na casa celeste de Ifá, os odus aplaudiram com frenesi a fala de Ejiologbom e Odi. E Ifá, que também é parte do gênero masculino, mandou servir no fim da sétima reunião um banquete muito mais sortido e caprichado.

Um comentário:

  1. Tem livros que eu pego na estante com reverência.- A gente sabe que o livro de Prandi é um legado importante, um monumento.

    Cheiro as páginas, enquanto imagino as vozes narrando as histórias.

    Abraço forte

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