terça-feira, 28 de abril de 2015

Descalço Sobre a Terra Vermelha


Imperdível


Amanhã, dia 29 de abril, a Empresa Brasileira de Comunicação – TV Brasil (TV Universitária, canal 5, no RN), irá exibir, às 23 horas, o filme “DESCALÇO SOBRE A TERRA VERMELHA”, uma co-produção Brasil-Espanha-Catalunha. O filme fala sobre a vida e a luta do padre catalão Pedro Casaldáliga, na região de São Félix do Araguaia, desde 1968.

segunda-feira, 27 de abril de 2015

Cinema

28/04/02015

Título Original: La Playa
Ano: 2014
Nacionalidade: Colômbia / Brasil / França
Direção: Juan Andrés Arango Garcia
Roteiro: Juan Andrés Arango Garcia
Duração: 90 minutos
Sinopse: Tomás, um jovem negro que fugiu da Costa Pacífica colombiana por causa da guerra, resolve se mudar para Bogotá, uma cidade racista de oito milhões de habitantes. Através da busca desesperada por seu irmão caçula, que desapareceu nas ruas da capital, ele toma coragem e abandona as feridas do passado para recomeçar tudo longe da praia.
Local da Sessão: Auditório da Biblioteca Central da UFRN.
Horário: 18:45 h.  

terça-feira, 21 de abril de 2015

Festa para a Mestra Maria Bassulê


Tenho acompanhado as festas realizadas para a Mestra Maria Bassulê, promovidas pelo Babá Aurino Oliveira e observo que elas vão se tornando grandiosas, muito bem organizadas, com grande público, demonstrando seu prestígio.  Ontem a noite, em sua casa localizada no bairro da Cidade Nova, aconteceu mais uma festa para a conhecida Mestra, homenageada por um grande público presente, formado por pessoas da comunidade, amigos de diferentes bairros da cidade, como também por babalorixás e yalorixás. Foi uma noite de celebração e alegria. A Mestra cantou, dançou; foi abraçada por todos os amigos presentes.





 

domingo, 19 de abril de 2015

Povos indígenas


12 filmes para refletir sobre Descolonização da Educação e Povos Indígenas:

1 – Escolarizando o Mundo (Schooling the World, 2010)

O filme mostra como educação ocidental foi imposta aos povos, modificando seu modo de viver e crenças. A força do etnocentrismo por trás dos projetos educacionais, que dizem querer ajudar os jovens conquistar uma vida melhor. As falhas da educação institucional e desvalorização das culturas que não fazem parte das correntes de pensamento ocidentais. Os questionamentos sobre definições de riqueza e pobreza ou conhecimento e ignorância são feitos durante todo o documentário. O papel das escolas na época da colonização na destruição do conhecimento tradicional.

2- Enterrem meu coração na Curva do Rio (Bury My Heart at Wounded Knee, 2007)

Baseado no best-seller de Dee Brown, o filme mostra o processo de integração indígena junto da sociedade americana, marcado por discriminação e proselitismo religioso. 

Direção: Yves Simoneau

Gênero: Drama/Faroeste/Histórico

Origem: Estados Unidos

Duração: 133 minutos 

3 – A Educação Proibida (La Educación Prohibida, 2012)

Produzido no ano de 2012, questiona a escolarização moderna e propõe um novo modelo educativo. Crítica o sistema “PRUSSIANO” originado do padrão militar de educação da Prússia, no século 18.

As escolas são colocadas como fábricas e presídios, com portões, grades e muros; horários de entrada e de saída, fardamento obrigatório, intervalos e sirenes indicando o início e o fim das aulas. O sistema educacional vigente acaba refletindo verdadeiras estruturas políticas ditatoriais que produzem cidadãos para servir ao sistema; qualquer metodologia educacional que busque algo diferente será “proibida”.

Direção: Germán Doin


4 –  Avaeté – Semente da Vingança (1985)

Filme de 1985, dirigido por Zelito Viana. A ficção faz referência ao massacre dos Cintas-largas ocorrido no município de Juína, no noroeste do Mato Grosso e também relatório figueiredo. Participaram da gravação indígenas da etnia Rikbaktsa. 

5 – Pisa Ligeiro (2010) 

O título se refere à canção que o povo Xucuru-Kariri cantava em Pernambuco numa manifestação: “Pisa ligeiro, quem não pode com a formiga não assanha o formigueiro”.

Direção: Bruno Pacheco de Oliveira. Produção e Roteiro: João Pacheco de Oliveira. Realização: Museu Nacional/LACED.

6 – Into the West (2005) 

Produzidos por  Steven Spielberg and DreamWorks. Contos do oeste americano no século 19, a partir da perspectiva de duas famílias, uma de colonos e outra de indígenas americanos. 

7 – Nossos espíritos não falam inglês (Our Spirits Don`t Speak English, 2008) 

Mostra a história obscura da antiga política do governo americano que tirou as crianças indígenas de suas famílias e as obrigou a ficar em internatos em que recebiam uma educação ocidental e religiosa para serem integrados. 

8 –  Where the Spirit Lives (1989) 

É um drama escrito por Keith Ross Leckie e dirigido por Bruce Pittman, que foi ao ar na CBC Television em 1989. Sobre crianças indígenas do Canadá tiradas de suas comunidades e obrigadas estudar em escolas residenciais. 

9- Brincando nos Campos do Senhor (At Play in the Fields of the Lord,1991) 

Dirigido por Hector Babenco, o filme se passa na floresta Amazônica. Aventureiros norte-americanos, missionários fundamentalistas e indígenas entram em conflitos e choque cultural. 

10 – A Missão (The Mission, 1986) 

Dirigido por Roland Joffé, o contexto histórico do filme é da Guerra Guaranítica, entre (1750 – 1756). Guaranis, tropas espanholas e portuguesas no sul do Brasil após a assinatura do Tratado de Madri, no dia 13 de janeiro de 1750. Os Guaranis da região dos Sete Povos das Missões não aceitaram deixar suas terras no território do Rio Grande do Sul para o outro lado do Rio Uruguai. 

11 – Serras da desordem (2006)

Filme de Andrea Tonacci. Carapirú é um indígena nômade que após escapar do massacre de sua familia em 1978, perambula sozinho pelas serras do Brasil Central. Levado para Brasília pelo sertanista Sydney Possuelo, vira manchete nacional e centro de polêmica criada por antropólogos e linguistas quanto à sua origem e identidade. 

12 – Mato Eles ? (1982)

Filme de Sérgio Bianchi. Depoimentos sobre a reserva de Mangueirinha, no sudoeste do Paraná, aonde viviam os remanescentes dos povos Kaingang, Guarani e Xetá.

 
Fonte: Geledés
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sexta-feira, 17 de abril de 2015

Manoel de Barros



Exame de tese
Dia: 23/04/2015 (quinta-feira) - Horário: 09:00 h
Local: UFRN – CCHLA – Auditório C

As árvores me começam.
O mundo por Manoel de Barros ou “estado de poesia” em Manoel de Barros
Kelson Gerison Oliveira Chaves

Esta tese tem como objetivo principal refletir sobre a obra poética de Manoel de Barros em sua dimensão sociocultural, tomando, como fio condutor para esta tarefa, a noção de “estado de poesia”, que é construída pelo autor ao longo de sua obra. Procura-se compreender como se dá a caracterização desse “estado de poesia”, bem como a busca por alcança-lo, considerando-se que pela compreensão de tal busca e caracterização pode-se apreender um testemunho e uma visão do autor mato-grossense sobre a sociedade contemporânea. Com esse intuito, aborda-se o conceito de poesia presente em Manoel de Barros – fruto de seu constante exercício metalinguístico -, bem como a construção de alguns personagens poéticos que compõem sua obra, quais sejam: o Poeta, o Andarilho, a Criança, o Índio e o Bugre, e Bernardo da Mata. Esses personagens são elementos fundamentais em sua poética e, representando sujeitos em “estado de poesia”, tematizam várias questões que dizem respeito à contemporaneidade. Em síntese, procura-se argumentar que há, na poética de Manoel de Barros, um conjunto de valores e ideias sobre a vida, a sociedade, a poesia, o ser humano e o mundo que, em conjunto, dão forma a uma reflexão sobre nossa sociedade e tecem uma alternativa de existência diferente da que temos; essa alternativa é plasmada num “estado de poesia”, estado que, em Manoel de Barros, acaba personificando um ideal de existência para a humanidade. Com efeito, a caracterização e a busca por alcançar um “estado de poesia”, na obra de Manoel de Barros, levam sempre à negação de certos valores e instituições sociais hegemônicas do mundo contemporâneo, configurando-se como um elemento basilar na construção de uma crítica social.

terça-feira, 14 de abril de 2015

Eduardo Galeano (1940 – 2015)


Era uma manhã cinzenta e de frio bravo.
Um amanhecer no fim de junho de 1973, cheguei a Montevidéu no vapor que atravessa o rio vindo de Buenos Aires.
Eu estava em pé na proa. Tinha os olhos fixos na cidade que lentamente avançava na neblina.
Minha terra tinha sido atingida por duas desgraças e eu não sabia. Paco Espínola estava morto e os militares tinham dado um golpe de Estado e tinha dissolvido os partidos, os sindicatos e todo o resto.  

GALEANO, Eduardo. Dias e noites de amor e de guerra. Rio de Janeiro: Editora Paz e Terra, 1978, p. 86.

segunda-feira, 13 de abril de 2015

ABANNE 2015


Com o tema “Direitos diferenciados, conflitos e produção de conhecimentos”, a REA (Reunião Equatorial de Antropologia) e a ABANNE (Reunião de Antropólogos do Norte e Nordeste), programada para o período de 19 a 22 de julho de 2015, na UFAL, Maceió (Alagoas), está com as inscrições abertas (até 12 de abril) para apresentação de trabalhos em diferentes Grupos Temáticos.  

Afoxé



Babá Marcelo Galvão comunica a criação do Afoxé Oluaiyê, através de uma ação cultural envolvendo os membros de sua casa – o Ilê Ilé Ifé Asé Òbáluàié, localizada no município de Extremoz – RN.
  
Importante iniciativa do Babá Marcelo Galvão e de todos que fazem parte do Asé. 

Foto: Alex Dantas





quinta-feira, 9 de abril de 2015

Novo livro de Stefania Capone

MODUPÉ, meu amigo.
 
Amigos de verdade estarão conosco nos momentos difíceis e também celebrando ao nosso lado vitórias e alegrias. Mas um dos aspectos mais bonitos de uma amizade verdadeira é a possibilidade de aprendermos juntos coisas novas, redefinindo a forma de entendermos o mundo, mudando a direção de nossas vidas e nos transformando assim em pessoas melhores a cada dia.
 
Na escola os amigos se descobrem no meio dos colegas e assim foi com Anderson e Fabinho. Depois da aula e do futebol os dois planejam uma viagem durante um feriado na praia que mudará a vida de Anderson.

A descoberta das festas de matriz africana desperta em Anderson a curiosidade em saber mais sobre as origens das palavras e sobre as divindades pertencentes à umbanda e ao candomblé. Guiado pelo amigo, ele irá perceber a beleza da diversidade dos cultos brasileiros e a riqueza de uma religião ainda pouco compreendida e vítima de preconceito em boa parte do Brasil.

De volta à escola Anderson e Fabinho trazem as boas lembranças e as coisas que aprenderam para dividir com todos. Entre elas, a busca da boa convivência entre os diferentes modos de pensar e de viver.

 

segunda-feira, 6 de abril de 2015

Judas


Nesse domingo, meio dia, encontrei esse Judas em plena Avenida Airton Sena (zona sul de Natal). Esqueceu-se de fazer a malhação. Manda a tradição que o boneco deve ser rasgado e queimado no sábado de aleluia. Mas, parece que a tradição trazida da península ibérica, aos poucos vai desaparecendo da vida contemporanea. O boneco era pendurado nos galhos de árvores ou postes de iluminação pública. Fazia-se o julgamento do Judas, sua condenação e execução, seguindo o que mandava o testamento, ou seja, saritizar pessoas e coisas locais. Assim, de forma jocosa, o objeto identificado pela população, era alvo de gozação e críticas.  

Atualmente, outras estratégias são construídas para “malhar” os muitos Judas que insistem existir.  
 

 

sábado, 4 de abril de 2015

Os sentidos do sacrifício na religiosidade afro-brasileira


O Núcleo de Estudos da Religião, da UFRGS, vem acompanhando e debatendo um projeto de lei que tramita no legislativo gaúcho e pretende submeter os rituais afro-brasileiros que envolvem animais às mesmas regras que presidem o chamado "abate humanitário". José Carlos dos Anjos, professor do Departamento de Sociologia da UFRGS, desenvolve sua crítica a tal concepção.

Olhando-se para a religiosidade afro-brasileira pelo mesmo ângulo que se promoveu o tráfico de milhões de africanos através do atlântico na condição de escravizados e se aniquilou milenares culturas indígenas nas Américas, se pode, sim, concluir que são bárbaros os rituais de sacrifícios de animais realizados nos terreiros. O olhar arrogante que de forma intolerante vem, há mais de um século, policiando, segregando e confinando na temeridade uma forma milenar de religiosidade tem mostrado que pode decretar o fechamento definitivo das casas de religião afro-brasileira do país. Decretar que não é mais legal o sacrifício religioso de animais é o mesmo que banir o culto aos orixás por puro preconceito.

Sob a mesma arrogância colonialista com que no passado se procedeu ao tráfico, escravização, catequese forçada, os religiosos afro-brasileiros estão, hoje, sendo acuados. Serão, os religiosos afro-brasileiros, levados a acatar o que a cultura dominantemente ocidental define como sendo o sentido das coisas do mundo, as sensibilidades em jogo no cosmo? O sentido dos acontecimentos cósmicos podem ser decididos, por decreto, a partir da sensibilidade de uma única cultura? As certezas imperativas terão de ser sempre e em toda a parte aquelas que a tradicional cultura ocidental sanciona? Os sentidos ocidentais de verdade e as sensibilidades ocidentais em relação ao sofrimento, ao que é humano, o belo, o divino, continuarão a ditar a ordem do mundo sem a menor abertura em relação a possibilidade de que essa outra cultura – a afro-brasileira – tenha reconhecida a condição de “maioridade” para dizer o que é válido para ela, a sua verdade humana, natural e cósmica?

O sacrifício de animais nos terreiros dá-se numa forma milenar de cultura que não separa o divino, o humano e o natural nem mesmo no sofrimento. No sacrifício há uma única pessoalidade em metamorfose e renascimento. Por estarem congregados numa unidade, o sacrifício é um momento especial de fusão de destinos e renascimentos em uma unidade simultaneamente animal, humana e divina. O sacrifício só ocorre na medida e quando não há a recusa das três partes que se entregam ao acontecimento cósmico. As acuradas sensibilidades desenvolvidas na religião para o cuidado do animal não podem ser substituídas por técnicas veterinárias, porque aquelas são mais antigas, sensíveis, mais sofisticadas e sobretudo, abertas a insondáveis dimensões cósmicas.

Porque uma religião milenar deveria se curvar ao culto moderno da ciência quando ela carrega suas próprias ciências e seu sentido de verdades que se situam para além das questões que técnicas modernas podem apreciar? Quando se coloca a religiosidade afro-brasileira diante de exigências de comprovações veterinárias de não-sofrimento animal, se poderia perguntar ainda, “porque algumas ciências devem ser levadas em conta e outras não?” Outras disciplinas acadêmicas, com um século de proximidade em relação à religiosidade afro-brasileira, como é o caso da antropologia e da sociologia, em nenhuma das suas expressões e controvérsias, desqualifica o sacrifício animal na religiosidade afro-brasileira como forma de crueldade. Essas outras disciplinas não deveriam ser levadas em conta nesse debate atual? Internacionalmente reconhecidos clássicos das ciências sociais nacionais (como Nina Rodrigues, Arthur Ramos, Edson Carneiro) e estrangeiros (como Juana Elbein dos Santos, Pierre Fatumbi Verger, Roger Bastide) em nenhum momento de suas vastas obras renegaram o sacrifício animal na religiosidade afro-brasileira. Pelo contrário, todos estiveram próximos do lapidar enunciado de Bastide: "A filosofia do candomblé não é uma filosofia bárbara, e sim um pensamento sutil que ainda não foi decifrado" (Bastide, 1978).

Um pouco menos de arrogância deveria levar os não-religiosos afro-brasileiros, interessados no tema, a respeitosamente, diante da diferente relação cósmica, perscrutarem a lembrança de que todo o nascimento dá-se no e pelo sangue – em seus múltiplos sentidos cosmológicos. O ritual poderia, para os de fora, situar mais do que uma memória da condição humana; poderia monumentalizar uma esperança. A esperança do renascimento humano menos conflituoso e mais imerso na natureza – essa lembrança sempre renovada nos sacrifícios da religiosidade afro-brasileira. Sem proselitismo, a religiosidade afro-brasileira não pede que a sigam, apenas respeita e se dá ao respeito dos que não comungam dos mesmos valores. Com essa postura se abre ao diálogo.

Referência
BASTIDE, Roger- O Candomblé da Bahia - São Paulo, Nacional, 1978.