quarta-feira, 30 de março de 2016

Uma vida entre engenhos e congos

Mestre Tião Oleiro entrevistado por Luiz Assunção (UFRN) 

Sebastião João da Rocha, Mestre Tião Oleiro, nascido a 14 de maio de 1914, brincante da cultura popular potiguar, agricultor, trabalhador de engenhos e usinas de cana de açúcar, residente na comunidade de Taboão, a 8 km da sede do município Ceará Mirim, estado do Rio Grande do Norte.  Em 1934 organizou o grupo Congos de Guerra e desde então é o responsável e um dos principais divulgador da tradição dos congos no estado. Mestre Tião Oleiro é Patrimônio Vivo do RN, conforme lei estadual de promoção da cultura popular potiguar. No ano em que completou 100 anos de idade, recebeu do governo brasileiro a Ordem do Mérito Cultural 2014, o mais importante prêmio concedido a personalidades que se distinguiram por suas relevantes contribuições a cultura brasileira. 

A congada é um auto que apresenta elementos temáticos africanos e ibéricos, supostamente originado das cerimônias de coroação de reis e rainhas negros, anualmente escolhidos pelos escravos. Difundido no país, desde o século XVII, a variante potiguar dos congos, conta a história da luta entre as forças do embaixador da rainha Ginga de Angola contra o rei Dom Henrique Cariongo, seu irmão. A embaixada, cujo objetivo é o trânsito de tropas da rainha pelas terras do rei Cariongo, resulta a morte do príncipe Sueno, filho do Rei. A dramatização desse episódio transcorre entre canto, dança e simulacros guerreiros de espadas. Atualmente três grupos estão atuando no estado, os congos de guerra do mestre Tião Oleiro; os congos de saiote, em São Gonçalo do Amarante e os congos de calçolas, na praia de Ponta Negra.

Conheci o mestre Tião Oleiro em 2003, a convite dos professores Gibson Machado Alves e Helenita Nakamura, com os quais compartilhei um dia de sábado na casa do referido mestre, ouvindo-o falar de sua história, apresentar os companheiros de lida, cantar trechos de algumas jornadas, ensaiar passos, tocar o fole e, no final da tarde, botar a brincadeira no terreiro, em frente de sua residência. Em 2006, voltei a sua casa, novamente em companhia do professor Gibson, e, dessa vez, com a missão de realizar uma entrevista com o mestre dos Congos de Guerra. Conversamos longas horas e esta tarde de conversa, contou também com a participação do brincante seu José Baracho, na época com 79 anos de idade. Grande parte dos ensinamentos dos mestres foi gravada em duas fitas k7, posteriormente transcrita, que ao somar-se a algumas referências bibliográficas, proporciona uma leitura sobre a história de vida do Mestre Tião, em especial, o entrelaçamento da vida e brincadeira, que faz peculiar a existência desse homem-mestre.  tem por finalidade premiar personalidades nacionais e estrangeiras que se distinguiram por suas relevantes contribuições prestadas à Cultura. tem por finalidade premiar personalidades nacionais e estrangeiras que se distinguiram por suas relevantes contribuições prestadas à Cultura.

A entrevista completa pode ser lida no link:

http://www.periodicos.ufrn.br/cronos/article/view/8267/pdf
tem por finalidade premiar personalidades nacionais e estrangeiras que se distinguiram por suas relevantes contribuições prestadas à Cultura.tem por finalidade premiar personalidades nacionais e estrangeiras que se distinguiram por suas relevantes contribuições prestadas à Cultura.

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