domingo, 29 de janeiro de 2017

Caboclos


O mês de Janeiro nas casas de candomblé, umbanda, jurema e demais práticas religiosas afro-brasileiras, é dedicado aos caboclos, que representa o primeiro habitante da terra brasileira, um ancestral. Como escrevi no livro “O reino dos mestres”, no universo da jurema, existem representações sobre o índio e sobre o caboclo. O índio é representado pela imagem de um personagem distante e abstrato, identificado pela ideia de “selvagem e forte”, enquanto que o caboclo remete à ideia do índio colonizado, envolvido com a sociedade branca dominante e como o resultado do entrecruzamento de diferentes etnias.
Ao longo desses anos de pesquisas tenho participado de muitas festas para caboclos.  Zé Pretinho, em Juazeiro do Norte (Ceará), dedicava vários dias, em seu centro, a tocar somente para os caboclos, concluindo as celebrações com rituais realizados na mata, como ele chamava o sítio, onde passavam o dia em atividades. Na casa de dona Terezinha Pereira, no Conjunto Soledade II (Natal), existia um verdadeiro banquete de frutas e mel, que eram distribuídos para toda a comunidade participante.   
Ontem a noite foi a vez do Terreiro de Jurema Mestre Benedito Fumaça, localizado em Mangabeira, realizar a festa para os caboclos, e, em especial, ao Caboclo Tamandaré. Sob a direção do Pai Freitas, a família e toda sua comunidade estiveram presentes para as festividades.   

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