domingo, 28 de fevereiro de 2010

Evento reúne representantes das comunidades quilombolas do RN (Event brings together community representatives from the RN)

Encerra-se neste domingo, dia 28/02, em Natal, o III Encontro Estadual das Comunidades Quilombolas do RN, promoção da Coordenação Estadual de Quilombos do RN, com apoio da COEPPIR/Governo do Estado e outras instituições.


O evento reúne representantes de 19 comunidades do estado do RN e tem por objetivo discutir temas e questões pertinentes a temática quilombola, tais como: desenvolvimento sustentável, movimento negro, estatuto da igualdade racial, ações afirmativas, regularização fundiária de terras quilombolas, etc. Outro ponto importante do encontro é a elaboração de uma agenda de trabalho para ser desenvolvida durante este semestre.


Um dos temas mais discutidos foi aquele que se refere ao processo de titulação das terras de comunidades quilombolas. Atualmente encontra-se aberto no INCRA/RN seis processos correspondentes as comunidades de: Jatobá, Sibaúma, Acauã, Capoeiras, Boa Vista e Macambira. O primeiro processo foi aberto em 2004 e desde então vem lentamente percorrendo um caminho burocrático entre diversos setores da instituição.


Outro ponto que chamou atenção dos participantes foi o relato da experiência de um projeto voltado para a dinamização produtiva da casa de farinha da comunidade de Capoeiras, no município de Macaíba.


O evento contou ainda com a realização de atividades recreativas e apresentações artísticas organizadas pelas próprias comunidades.

Evento reúne representantes das comunidades quilombolas do RN (Event brings together community representatives from the RN)


Evento reúne representantes das comunidades quilombolas do RN (Event brings together community representatives from the RN)

Maria José, Rita e Sandra, representantes da comunidades de Jatobá (Patu/RN)

Seu Manoel, representante da comunidade de Capoeiras (Macaíba/RN)

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

QUEM É DE AxÉ, DIZ QUE É (Who is AxÉ, says it is. Qui est AxÉ, affirme qu'il est)

José Clementino

José Clementino nasceu em 1930, na localidade de Espírito Santo, distrito de Goianinha/RN. Filho de Joaquim Clementino e Rita Correia. Aos 16 anos de idade muda-se para Natal, em busca de melhores condições de vida e vai residir na casa de familiares, no bairro das Rocas, onde continua vivendo.

Trabalhou inicialmente no comércio de alimentos, depois numa tipografia, voltando para o comércio, uma espécie de clube – o Carneirinho de Ouro, no qual permanece por longo tempo e conquista muitas amizades de pessoas “da sociedade”, como gosta de ressaltar, e com as quais vai contar apoio, principalmente nos períodos mais repressivos.

Em uma determinada fase de sua vida, estando muito doente e embora fosse de uma família católica, é levado por parentes ao centro de João Cícero, em busca de uma cura. O centro em referência é o Centro Espírita de Umbanda Redentor Aritã, de João Cícero Herculano, no bairro das Rocas, considerado pelos historiadores como o primeiro terreiro autorizado pela polícia em Natal, em 1944.

Curado, permaneceu no centro por alguns anos. No início dos anos de 1960 faz sua iniciação na linha nagô, com o orixá Oxalá. Na Jurema, faz obrigação para o mestre seu Zé Pelintra.

Sua casa é aberta em 1962. Antes, porém, em uma situação de incorporação com a entidade espiritual Pai Joaquim, este manda um recado para que ele fundasse seu próprio centro. Passa, então, a realizar as sessões e atender a clientela em sua própria residência. A Cabana Umbandista Pai Joaquim de Angola é registrada em 1965.

José Clementino foi presidente por três gestões da Federação Espírita de Umbanda do RN.

José Clementino

Cabana Umbandista Pai Joaquim de Angola

Bairro das Rocas – Natal/RN

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Evento debate políticas públicas para cultura afro-brasileira

Com a participação de 81 representantes dos estados brasileiros, Brasília sedia (dias 24 e 25/02) a pré-Conferência Nacional de Cultura Afro-Brasileira. O evento é organizado pela Fundação Cultural Palmares, vinculada ao Ministério da Cultura.


A pré-conferência promoverá o debate e a reflexão do setor e encaminhará propostas de políticas públicas para a cultura afro-brasileira, de forma a contribuir com a formulação de um plano nacional de cultura afro-brasileira, além de apresentar as propostas do setor para a 2ª Conferência Nacional de Cultura (CNC) que acontecerá entre os dias 11 e 14 de março, também na capital federal.


Delegados escolhidos, pelo estado do RN, para a Pré-conferência:


José Flávio da Paz

Josimar Rocha Fernandes


Fonte: http://cenbrasil.blogspot.com

www.palmares.gov.br

sábado, 20 de fevereiro de 2010

"Shahada" (A fé) no 60º Festival de Cinema de Berlim – Alemanha

O filme "Shahada" (A fé) trata da diversidade cultural na Alemanha atual e causa polêmica durante sua exibição no 60º Festival de Cinema de Berlim (de 11 a 21 de fevereiro).

“Shahada”, dirigido pelo cineasta alemão de origem afegã Burhan Qurbani, narra à história de três jovens muçulmanos de Berlim que têm a fé e sua espiritualidade submetidas a um duro teste na sociedade alemã contemporânea.

Os temas apresentados em "Shahada" - a religião do Alcorão, a homossexualidade e a emancipação das mulheres muçulmanas - abalaram os jornalistas alemães, que fizeram muitas perguntas durante a entrevista coletiva após a exibição.

Algumas das declarações do diretor Burhan Qurbani:

"Os muçulmanos não são apenas os árabes barbudos. Cada país define o Islã. Na Alemanha não existem apenas muçulmanos turcos e árabes, também há nigerianos e bósnios. Maryam Zaree e Carlo Ljubek são croatas. Deus ama todas as cores, todos os rostos, a diversidade".

"Ser um homossexual muçulmano é difícil em muitos países. E também é na Alemanha. Meu filme é sobre a tolerância, a possibilidade de aceitar que cada um seja feliz a sua própria maneira. O amor é geral e não pode ser restrito a uma só forma".

"A comunidade muçulmana deve sair ela mesma do obscurantismo. Devemos nos questionar o porquê de rezarmos todo dia, este é o trabalho dos homens instruídos".

"Meu filme não é um drama social, nem um documentário. Quis levar as personagens ao limite do que podiam suportar. Saber como deveriam se comportar com suas crenças. Eu sou muçulmano e sou alemão e há grande parte de minha vida no filme, minhas dúvidas, saber se sou ou não um bom muçulmano".

"A intolerância vem da ignorância. Sabe-se pouco de nossa religião. As pessoas têm medo dos muçulmanos, principalmente pelo que lêem nos meios de comunicação. No entanto, os alemães vivem cercados de muçulmanos: o taxista, o vendedor de kebab, talvez o psicólogo ou o dentista. Meu filme é contra o medo, contra os mal-entendidos".

Segundo Qurbani, apenas com a educação, informação e o diálogo crítico serão possíveis lutar contra o obscurantismo e a radicalização de algumas correntes do islã.

http://cinema.uol.com.br/festival-de-berlim/

Trailer original do filme "Shahada" (A Fé)


Trailer original do filme "Shahada", com Maryam Zaree, Carlo Ljubek, Jeremias Acheampong, Sergej Moya. Direção: Burhan Qurbani. © Bittersuess Pictures

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Nota de repúdio às notícias veiculadas pelas Revistas Veja e Isto É sobre a Ayahuasca

Recentemente a Revista Veja (ed. 2150, 3/02/2010) e a Revista Isto É (ed. 2100, 5/02/2010) publicaram matérias que visam promover retrocessos nas importantes conquistas duramente obtidas por uma minoria religiosa em nosso país.

Frente a esse processo de desqualificação das religiões ayahuasqueiras brasileiras que tem se dado através da veiculação de matérias obscurantistas e indutoras de juízos equivocados e preconceituosos, o Núcleo de Estudos Interdisciplinares sobre Psicoativos – NEIP manifesta em nota seu repúdio e reafirma pontos fundamentais que norteiam sua análise e compromisso com a prática religiosa.

Entre os pontos listados destacam-se:

- O direito à liberdade religiosa e ao pluralismo religioso previstos na Constituição Federal do Brasil;

- o combater a estigmatização das minorias religiosas;

- O processo de regulamentação do uso da ayahuasca no Brasil é produto de um diálogo de mais de 25 anos entre governo, religiosos e estudiosos. A Resolução N. 1 do CONAD (Conselho Nacional de Políticas sobre Drogas), de 25 de janeiro de 2010, reflete este processo;

- O consumo de substâncias psicoativas faz parte da história humana. Devemos abandonar o modelo de debate público que se reduz a demonizá-lo;

- O debate sobre o importante tema das religiões ayahuasqueiras deve ser ético, respeitar os princípios constitucionais, considerar o conhecimento já acumulado e não substituir a tolerância dialógica por preconceitos, acusações, estigmas e sensacionalismo.

Quem quiser manifestar seu apoio, deve entrar em: http://carosamigos.terra.com.br, no ícone "Santo Daime" à esquerda, e anexar nos comentários o seguinte: “Apoio a Nota de repúdio às notícias veiculadas pelas Revistas Veja e Isto É sobre a Ayahuasca publicada no site do NEIP. Nome e profissão.”

A nota com todos os seus pontos podem ser acessados no site: www.neip.info

Referência: Núcleo de Estudos Interdisciplinares sobre Psicoativos (NEIP), 2010. Nota de repúdio às notícias veiculadas pelas Revistas Veja e Isto É sobre a Ayahuasca. Disponível em:

http://www.neip.info/html/objects/_downloadblob.php?cod_blob=542


quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Concurso Blog Nota 10

A Revista África e Africanidades divulgou o resultado do Concurso Blog Nota 10.

Na categoria Blog do professor Nota 10, o escolhido foi Blog do Projeto África .

Na categoria blogueiro, os selecionados foram:

1º Lugar: Blog Literatura Suburbana
2º Lugar: Blog da Associação Crianças Raízes do Abaeté
3º Lugar: Blog Memorial Lélia Gonzalez - Continente África

Depois do carnaval

Desejo que todos tenham tido um ótimo carnaval, com muita alegria e paz. Durante o período de momo não postei nenhuma matéria, todavia observei que diariamente o Blog foi bastante visitado. Essa constatação é animadora. Aproveito para agradecer a visita de todos, como também a recente presença dos seguidores Marcio, Hermann, Yranacy, Diego Moreira, Iara.

sábado, 13 de fevereiro de 2010

Um grande carnaval para todos (A great carnival for all; Un grand carnaval pour tous)

Para abrir os caminhos nesse período carnavalesco o bonito clipe da cantora baiana Mariene de Castro. Gravado na Lavagem do Bomfim e de Iemanja. Uma produção Iglu filmes e Pau Viola Produções. Direção e Fotografia: Paulo Hermida.


Pra quando o carnaval chegar

Chico Buarque em uma cena do filme “Quando o carnaval chegar” (Direção de Cacá Diegues,1972).


sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

Morre Mestre Elpídio



No início da tarde de quarta-feira, dia 10 de fevereiro, morreu Elpídio Alexandre da Silva, de 82 anos, vítima de parada cardíaca, em conseqüência de um tumor cerebral. Conhecido como "Mestre Elpídio", era o responsável por um grupo de Boi de Reis, criado em 1949. Residia no município de Parnamirim, onde participava do ponto de cultura Boi Vivo, com o objetivo de difundir a brincadeira do boi de reis na comunidade.


Mestre Elpídio era o único brincante ainda vivo que tinha participado nos anos de 1960 do movimento de cultura popular levando adiante pela gestão do prefeito Djalma Maranhão em Natal.


Em agosto de 2008 convidamos Mestre Elpídio e seu grupo para fazer a abertura da Semana de Cultura Popular na UFRN, promovida pelo Grupo de Estudos sobre Culturas Populares do Departamento de Antropologia.



quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Caminhos – Exposição Fotográfica Itinerante pelos terreiros de Natal (Paths, photographic exhibition touring the terraces of Natal)

A partir de hoje apresento na Série Fotográfica 5 (lado direito do Blog), algumas fotografias que integram a exposição itinerante pelos terreiros.

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Comunidades negras rurais e quilombolas do RN

Apesar da evidência de dados sobre a presença da população africana e afro-descendente na província do Rio Grande, a historiografia não tem dado a devida atenção ao tema do negro na sociedade potiguar. Essa invisibilidade aponta para a pouca contribuição deste no processo de formação da sociedade colonial e para a pouca presença no Rio Grande do Norte bem como para a chegada tardia de escravos ao estado.


Levantamento realizado e apresentado no livro Jatobá, ancestralidade negra e identidade (Assunção, 2009), apontam um significativo número de comunidades negras rurais no Estado – cerca de 60. Deste total, 15 receberam o certificado de reconhecimento como comunidade quilombola pela Fundação Cultural Palmares e 6 tem processo aberto no INCRA/RN com fins de demarcação e titulação das terras ocupadas.