domingo, 21 de julho de 2019

Semestre letivo 2019.2 – UFRN

Amanhã segunda-feira (22) tem início o segundo semestre letivo de 2019. Na UFRN, mais de 40 mil estudantes voltam às aulas. 

A abertura do semestre acontece tendo por cenário contingenciamento financeiro e anúncio de um projeto, por parte do governo federal, que aponta para o desmonte das autarquias de ensino superior e institutos federais, em seu protagonismo principal de escola pública de qualidade e inserção social.  

Tenha fé no nosso povo que ele resiste
Tenha fé no nosso povo que ele insiste
E acorda novo, forte, alegre, cheio de paixão.

Credo. Milton Nascimento e Fernando Brant.

sexta-feira, 21 de junho de 2019

segunda-feira, 17 de junho de 2019

Quem tem medo da pombagira?


Quem tem medo da pombagira? Arte decolonial e desobediência no culto a entidades femininas na Jurema Sagrada.
Título da monografia apresentada por Lukas Patrick de Medeiros para conclusão do curso de graduação em Ciências Sociais da UFRN.
A apresentação do trabalho acontece dia 25 de junho, às 19 horas, no Auditório C (térreo) - CCHLA-UFRN.  


RESUMO: Este trabalho se desenvolve junto aos rituais públicos da Jurema Sagrada, através do trabalho de campo e da observação de algumas festas e giras realizadas no Terreiro de Mãe Lúcia de Nanã, o Axé Ilê Bongundê, localizado na cidade de Parnamirim - RN. A proposta busca compreender o processo semiótico desses encontros espirituais, evidenciando performances, cores e sabores que compõem esse cenário, em especial na personificação das entidades espirituais, para perceber na narrativa mítica religiosa a presença de um saber contextualizado na ferida colonial. No processo de elaboração dessas memórias personificadas em arquétipos, procuro evidenciar o papel da narrativa da pombagira como uma possibilidade de desobediência epistêmica e sexual, diante do seu caráter de moral duvidosa, portanto, surgindo como deslocamento para uma possibilidade de saber decolonial.



Mesa de avaliação: Professores Paulo Victor Leite Lopes (UFRN-DAN), Marcos Alexandre Queiroz (IFRN) e Luiz Assunção (UFRN-DAN).

quarta-feira, 12 de junho de 2019

quarta-feira, 15 de maio de 2019

Eu acredito é na rapaziada (Gonzaguinha)



Os sentidos da magia

 
 
 
RESUMO: A presente dissertação se articula a partir de três dimensões: a história das religiões afro-brasileiras no Amapá, a concepção sobre “magia” a partir dos rituais oferecidos enquanto serviços religiosos, e a relação entre clientes e o terreiro, assim como a transição desses para família de santo. A pesquisa etnográfica foi desenvolvida em terreiros da capital do estado do Amapá, Macapá. No entanto, o caráter etnográfico permeia dados que vão além do recorte dos terreiros; apresentando também a trajetória religiosa dos sacerdotes a partir de suas memórias. Este estudo tem como objetivo investigar os sentidos acionados e produzidos por clientes, sacerdotes e pessoas ligadas às religiões afro-brasileiras, a fim de observar como são percebidas e como se caracterizam as práticas rituais enquanto “magia”, a partir da observação dos trabalhos atrelados à busca de soluções de problemas como: relacionamento, finanças, saúde; desdobra-se também em analisar a relação entre clientes e a religião, assim como, a migração de clientes para filhos de santo. A pesquisa busca compreender como sacerdotes e clientes interseccionam o entendimento sobre as práticas rituais das religiões afro-brasileiras ligadas à categoria magia, atribuindo a eficácia e eficiência dos ritos direcionados para os diversos fins da vida daqueles que recorrem a ela através da religião.  
Palavras-chave: religiões afro-brasileiras; magia; etnografia.
 


sexta-feira, 26 de abril de 2019

Jerusa Pires Ferreira




Muito triste a notícia do falecimento da professora Jerusa Pires Ferreira. Fui seu aluno quando fazia o doutorado na PUC de São Paulo. Um prazer grande frequentar suas aulas, o que fortaleceu a admiração existente por sua obra acadêmica. Em sua sala, entre os muitos ensinamentos, apresentou-me Paul Zumthor, pensador que incorporei as minhas referências. A professora Jerusa Pires Ferreira deixa uma trajetória acadêmica e uma obra importante para o estudo da cultura brasileira. Referência para seus alunos e amigos.

 

quinta-feira, 11 de abril de 2019

Paul Zumthor, memórias das vozes


Paul Zumthor, pensador nascido em Genebra, Suiça, em 1915, educado em Paris, tendo lecionado em universidades da Holanda, França, Estados Unidos e Canadá.
Estudioso das culturas, Zumthor empreende um projeto intelectual muito próprio: por meio de um profundo conhecimento de literatura medieval europeia, busca nos registros escritos da poesia medieval as marcas da voz viva, defendendo um conceito de oralidade aberta e flexível, que ganha forma em sua teoria da vocalidade.
Sua proposta é ir além da análise do texto verbal ao incluir o mundo da cultura e seu valor simbólico, a memória e a tradição do mundo social vivido, a noção de movência do texto oral, a transmissão do texto em presença e sua performance.
O pensamento aberto e movente de Paul Zumthor leva-o conceitualmente para o mundo contemporâneo, instigando e possibilitando aos pesquisadores a compreensão de questões relativas à oralidade e às diferentes manifestações da cultura e das vanguardas artísticas.

Paul Zumthor, memórias das vozes. Organização: Luiz Assunção e Beliza Áurea de Arruda Mello. São Paulo: Editora Assimetria.


quarta-feira, 5 de setembro de 2018

Grupo de Trabalho na Semana de Antropologia da UFRN 2018


Semana de Antropologia UFRN 2018

Mesa "Antropologia na UFRN" com a particição dos professores Elisete Schawde e Luiz Assunção. Coordenação do professor Paulo Victor Leite Lopes.
 


 






 

Semana de Antropologia da UFRN

XVI Semana de Antropologia da UFRN - Abertura e entrega do Prêmio de melhor dissertação de Mestrado a Marcos Queiroz ("Em casa de catiço: etnografia dos Exus na Jurema") - orientação: Luiz Assunção.
 
 

 

 

sexta-feira, 31 de agosto de 2018

Racismo religioso

A intolerância religiosa não é um fenômeno recente. A história registra e nos faz conhecer alguns desses terríveis momentos. Apenas para ficarmos no cenário potiguar cito o registro de Cascudo no livro “Meleagro” que narra a prisão de casal por praticar ritual do catimbó-jurema e que são obrigados a realizar o ritual na própria delegacia.  
Conheci alguns dos antigos religiosos afro-brasileiros de Natal que narravam proibições, perseguições, prisões, por praticar a religião. Seu Geraldo Guedes, Babá Karol, Geraldo do Caboclo, dona Olívia Muniz, já falecidos. Seu José Clementino, do bairro das Rocas, lúcido, em seus 80 e poucos anos, pode contar essa história.  
Os religiosos que estão aqui também têm seus registros da intolerância vivida. Se pessoalmente não viveu, no mínimo conhece alguém vítima da intolerância religiosa. Essas pessoas têm nome, endereço; são trabalhadoras e trabalhadores; pagam impostos.  
A primeira vez que ouvi um desses relatos foi no final dos anos de 1980. Os vizinhos tinham jogado pedra no telhado do espaço religioso na hora da realização do ritual. Na sequencia, fui ouvindo mais e mais relatos. E eles foram ganhando forma e complexidade diferentes.  
O vizinho registra queixa na delegacia. O motivo! O som dos atabaques. O trabalhador é agredido fisicamente em sua própria rua por pertencer a um terreiro. Na localidade de Guanduba, uma comunidade age de forma intolerante impedindo o funcionamento da casa religiosa. Pai de santo se torna réu em um processo fruto de acusação sem fundamento legal. Na escola, criança é qualificada como praticante de religião do diabo. Pessoas públicas se posicionam de forma preconceituosa e intolerante.  O monumento a Iemanjá é depredado. 
Desqualificação, ofensa em palavras, agressão física, violação por parte do Estado brasileiro. Esse é o quadro. 
Sou um pesquisador, mas é claro que minha fala é também permeada por afetos e respeito pela religião, pelas religiosas e religiosos, aprendidos ao longo dessas ultimas três décadas de trabalho.
Em nossos estudos inicialmente acreditávamos que a questão podia ser compreendida como parte da disputa por mercado de bens simbólicos; disputa por público. Logo percebemos que também existia outro componente, que corresponderia a uma forma muito particular de racismo.  A intolerância religiosa assume formas e contornos racistas cada vez mais complexas. O que chamamos de intolerância religiosa se transforma em um racismo religioso que desqualifica, persegue, criminaliza.  
Outros dois fatores compõem o campo de análise, somando-se aos dois pontos que acabei de especificar. Trata-se da fragilidade socioeconômica e institucional das comunidades de terreiro, como a laicidade do Estado brasileiro.  
É certo que esta audiência tem um compromisso – debater o vilipêndio da estátua de Iemanjá e apontar encaminhamentos de resolução. Particularmente quero ressaltar que a estátua deve ser tomada como um bem simbólico, expressão de representações do mundo cultural e, como tal, concebida como monumento público da cidade do Natal, o que implica, no mínimo, em responsabilidades por parte do poder público municipal.  
Todavia, volto a destacar que a questão é mais ampla. Não é específica da estátua de Iemanjá. A questão da intolerância religiosa está presente na escola, na rua, no bairro, nos espaços públicos e nos espaços institucionais. Trata-se de questões que atinge diretamente a premissa inviolável do direito de culto manifesto na Constituição Federal de 1988.
 
Comunicação proferida na Câmara Municipal de Natal durante a audiência pública promovida pelo mandato da Vereadora Natália Bonavides sobre intolerância religiosa.

sexta-feira, 3 de agosto de 2018

Especialistas discutirão religiões afro-brasileiras em Natal - Papo Cultura

Especialistas discutirão religiões afro-brasileiras em Natal - Papo Cultura: A segunda edição do Seminário Internacional Patrimônio e Religiões Afro-brasileiras acontecerá em Natal entre os dias 13 e 15 de agosto no CCHLA, UFRN

Louvação a Iemanjá


Terreiros do Passado

Matéria do jornal Tribuna do Norte, 02/08/2018, Natal - RN.

http://www.tribunadonorte.com.br/noticia/terreiros-do-passado/420080

sexta-feira, 27 de julho de 2018

domingo, 22 de julho de 2018

Defesa do abate religioso


No próximo dia 9 de agosto o Supremo Tribunal Federal-STF vai votar um recurso interposto pelo Ministério Público do Rio Grande do Sul, contra a decisão da justiça gaúcha que reconhece o direito do abate religioso de animais em rituais das religiões afro-brasileiras.
O princípio desse processo nasceu em 2004 quando o Tribunal de Justiça do RS assegurou vitória as religiões afro-brasileiras no sentido de reconhecer a constitucionalidade do abate religioso de animais. Em 2017 o Tribunal de Justiça de SP, realizou um julgamento sobre o mesmo tema e decidiu ser uma prática legal.
A prática do abate religioso de animais para fins litúrgicos e alimentares não se limita as religiões afro-brasileiras, uma vez que judeus e mulçumanos também a incorpora ao seu universo religioso. A posição contrária a esta prática religiosa, assumida por certos setores da sociedade brasileira, se reveste de uma postura, no mínimo racista, como tantas outras que se constituem historicamente contra a cultura de matriz africana no Brasil.

 

Nota emitida pelo Centro Espírita de Umbanda Cacique Tupinambá – Ceará Mirim, RN


quinta-feira, 19 de julho de 2018

quarta-feira, 18 de julho de 2018

Casa das Águas


Casa das Águas 

A primeira vez que estive com Pai Zé Maria de Oxum (José Maria de Góis) foi no ano de 2005, em sua primeira casa, localizada na Rua Tocantínea, Conjunto Pajuçara. Na época fazia pesquisa na Zona Norte de Natal e tinha a oportunidade de conhecer os terreiros da região. Eram muitos os terreiros existentes. Em termos estatísticos, um pouco mais de cinquenta por cento dos terreiros da cidade estavam naquela recente área de expansão habitacional da cidade. Muita casa aberta por jovens; alguns provenientes de antigos barracões da cidade. Entre eles Pai Zé Maria. Sua avó, Luiza Gabriel de Góis, tinha um terreiro na Redinha.  

Aos 14 anos de idade, Pai Zé Maria de Oxum faz a primeira obrigação, passando a se dedicar ao santo e a jurema. Mestre Zé Pelintra e Preta Velha Mãe Tuntum são as entidades que conduzem os trabalhos na casa. A comunidade cresceu. Foi necessário buscar outro espaço que pudesse comportar os muitos filhos e filhas, as atividades e permanentes funções da Casa das Águas. 

Casa das Águas – Novo Horizonte (Pajuçara), Natal-RN.

Casa das Águas