sexta-feira, 13 de janeiro de 2017

quarta-feira, 4 de janeiro de 2017

Vida e morte na tradição


Antônio Teixeira Filho, 89 anos, mais conhecido por Bilhete. Pertencente a uma família de brincantes da cultura popular e da tradição, no município de São Gonçalo do Amarante-Rn, seguiu os passos dos familiares, tendo sido Gajeiro e Capitão do Mar e Guerra do Fandango do Mestre Atanásio Salustino.
Ao comentar o falecimento de seu Antônio, no dia 28 de dezembro passado, Gláucio PeduBreu, assim escreveu: “Que nós marujos que aqui ainda estamos, possamos ter forças para continuar velejando neste mar bravio da vida e assim poder manter viva na lembrança, as nossas tradições populares”.
O texto, escrito sob o sentimento da perda (a morte), não perde a esperança (vida) na continuidade das tradições. Mas morte e vida tem se feito presença forte na existência dos grupos populares e da tradição, os grupos do folclore, dos folguedos e demais manifestações culturais. Morte e vida presentes na trajetória de vida desses vários sujeitos frente às dificuldades materiais do cotidiano. Morte e vida compartilhadas com o coletivo do grupo e, igualmente, com seus enfrentamentos para fazer a “brincadeira” continuar. Quase sempre, sem o devido apoio institucional e, muitas vezes, esquecidos em suas proprias comunidades, homens e mulheres teimam em fazer continuar existindo sua arte e saem a cantar, a dançar a celebrar a vida e a memória de um tempo.
A morte de seu Antônio Teixeira e a morte de Atanásio Salustino, Pedro Guajiru, Tião Oleiro, José Baracho, José Correia, Severino Guedes, Cornélio Campina, Antônio Lima, Miguel Relampo, Chico Daniel, Manoel Marinheiro, dona Militana Salustino e demais mestras e mestres, é o silêncio do patrmônio cultural imaterial. É o silêncio da memória potiguar.
Mas, esse silêncio, pode (e deve) ser caminho para a reflexão e construção de outras possibilidades de mundos da cultura.     

res. Antônio Teixeira, tinha 89 anos, nascido em 12/06/1927, era conhecido na Cidade como Bilhete, ele foi Gajeiro e Capitão de Mar e Guerra do Fandango do Mestre Atanásio Salustino. Antônio Teixeira, tinha 89 anos, nascido em 12/06/1927, era conhecido na Cidade como Bilhete, ele foi Gajeiro e Capitão de Mar e Guerra do Fandango do Mestre Atanásio Salustino. Maternidade Belarmino Monte em São Gonçalo do Amarante com vida, mas veio a óbito antes de ser atendido.

segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

Esperanças


Estamos iniciando o ano com música.
Sons e memórias da herança africana no ponto para Exu, cantado no Candomblé e Umbanda desse país chamado Brasil. O orixá Exu é o começo, o princípio de vida individual; o mensageiro entre os deuses e os homens e o elemento dinâmico de tudo que existe. Enquanto caminho e movimento, remete a esperança.
Esperanças de transformações. Esperanças de um mundo novo. Esperanças de um novo ano. Esperanças, ainda, em uma sociedade mais justa, inclusiva, sem preconceitos e discriminações. Uma sociedade plural e democrática.
A faixa que apresentamos faz parte do CD de Serena Assumpção que tem como título Ascensão, que se encontra disponível no site do youtube.  
O post seguinte refere-se ao grupo paulista Suíte Cabocla, que desenvolve um projeto musical em que procura juntar em seu repertório música clássica e da tradição popular brasileira, como elaborar leituras musicais e experimentos, ao incluir instrumentos como a viola caipira.

 

Exu

Suíte Cabocla

sábado, 31 de dezembro de 2016

Elas de Axé

https://www.yumpu.com/pt/document/view/56446743/elas-de-axe-vanessa-arruda

Elas de Axé


Elas de Axé é o título do Ebook fotodocumentário produzido pela jornalista Vanessa Arruda de Castro, fruto do trabalho de conclusão do curso em Comunicação Social, defendido recentemente na UFRN.
O projeto, que teve duração de um ano, não se limita a produção fotográfica, mas dedica-se a uma detalhada pesquisa sobre o cotidiano do Ilê Olorum, casa de candomblé localizada no bairro Vida Nova, em Parnamirim-Rn, em especial, refletindo sobre a presença das mulheres nesse espaço religioso.  
Ao escrever sobre o Ilê Olorum, traça a história da casa e, principalmente, a história de vida de Mãe Isa de Nanã (Isali Rodrigues Souza) e Pai Hércules – sacerdotes responsáveis pela casa religiosa. Elabora descrições sobre as atividades diárias, as festas públicas, os rituais. Faz reflexões sobre a mitologia dos orixás. Tece considerações sobre a estrutura e hierarquia da casa. Participa da oferenda para Iemanjá, realizada pelos membros da comunidade, em dezembro de 2015, na praia de Ponta Negra.
Para além do cumprimento dos critérios acadêmicos e técnicos exigidos para a avaliação da monografia e do produto fotodocumentário, o trabalho se reveste de significativa importância ao propiciar uma visibilidade positiva a comunidade religiosa do candomblé e as religiões afro-brasileiras de um modo geral, em um contexto marcado historicamente por formas de pensamento e ações de intolerância. Por outro lado, ao escolher o candomblé, traz para a esfera da comunicação um tema, em geral excluído de sua pauta. Não é demais destacar que nesse mundo das comunicações e das mídias, quando o tema das religiões afro-brasileiras aparece, é quase sempre permeado por tons caricaturais, preconceituosos, sem o devido conhecimento da matéria, o que é outra forma de praticar a exclusão.             

sábado, 17 de dezembro de 2016

Mesas redondas e debates


Mesa - Vozes Múltiplas: personagens e contextos na literatura africana.
Participantes: Maria de Fátima Lopes, Igara Melo Dantas e Thayane de Araujo Morais.


Mesa -  Espaço publico e cidadania.
Participantes: Abdoul Hadi Savadogo (Burkina Faso), Aina Azevedo (África do Sul) e Oriana Concha Diaz (Senegal)
 
 
Mesa - Práticas religiosas, memória, conflitos.
Participantes: José Roberto dos Santos, Emanuel Palhano, Luis Meza Alvarez (Colômbia) e Danycelle Pereira da Silva (Cuba).


Mesa - Cinema africano.
Participantes: Lisabete Coradini, Ilnete Porpino e Naymare Azevedo.  



Conferência "A globalização da religião dos orishas"

Abertura: Marcelo de Oxalá

Conferência Dra. Stefania Capone

Dra. Stefania Capone

Abertura da Conferência

Exposição

África Brasil


O Seminário Internacional África Brasil: cultura, fluxos, cidadania, promovido pelo Programa de Pós-Graduação em Antropologia e Grupo de Estudos Culturas populares da UFRN, foi realizado no período de 22 a 24 de novembro, no Centro de Ciências Humanas, Letras e Artes da UFRN, com a presença de um significativo público formado por alunos, professores, membros das comunidades de terreiro e demais interessados na temática.
A programação constou de uma exposição – Um mundo narrado em imagens, com desenhos de Ana Luiza de Souza Freitas, fotografias de Luisa Medeiros (alunas do curso de Comunicação Social) e pinturas de Leandro Paz, membro do Ilê Ilé-Ifé Axé Obaluaiyê.  
A conferência de abertura foi proferida pela professora Dra. Stefania Capone (EHESS-CNRS, Paris – França) e contou com a apresentação musical de Marcelo de Oxolá, que cantou pontos de abertura para orixás.
Na sequência do evento, foram realizadas mesas redondas com as seguintes temáticas: Vozes múltiplas: personagens e contextos na literatura africana; Espaço público e cidadania; Práticas religiosas, memória, conflitos; Cinema africano.
Na última noite, foi projetado e em seguida um debate sobre o filme “Aprender a ler para ensinar meus camaradas”, uma produção Brasil-Angola (2013), direção de João Guerra.

domingo, 20 de novembro de 2016

Afeto e ação política no Axé Obaluaiyê


Ontem foi um dia de afetos, conhecimentos, aprendizados, compartilhados entre os membros do Ilê Ilé-Ifé Axé Obaluaiyê (Extremoz Rn), convidados e  representantes de cinco comunidades religiosas que estiveram presentes no III Colóquio Afro-Religioso – Vozes Negras: construindo espaço de ação, realizado nesse espaço religioso em comemoração ao Dia Nacional da Consciência Negra.
O Colóquio foi organizado pelo Grupo Cultural Egbé Logun, sob a coordenação do Ègbónmi Nilson de Esù, tendo como temática o protagonismo político dos povos tradicionais de matriz africana.
O evento contou com diversas oficinas (espaço e memória de axé, espaço das folhas, consciência corporal, cozinha de axé, maculelê), o espaço para contação de mitos, mesas redondas (tradição oral e ocupação do espaço letrado, participação política do povo de terreiro, jovens de terreiro e o protagonismo político) e ao final, o cortejo de Afoxé.
O Colóquio vem crescendo e aperfeiçoando sua organização. Na versão atual, é importante destacar a participação de membros de outras comunidades religiosas, integrados seja como participantes ou como palestrantes de oficinas e mesas. A estratégia de pensar o protagonismo político no âmbito dos terreiros é, sem dúvida, a principal herança da ação desses jovens.   









 

quinta-feira, 17 de novembro de 2016

Colóquio


III Colóquio Afro-Religioso em Extremoz


No próximo sábado, dia 19 de novembro, acontece no Ilê Ilçe-Ifé Axé Obaluaiyê (Extremoz Rn), o III Colóquio Afro-Religioso, com intensa programação que inclui realização de oficinas e mesas redondas.
 
Consultar a programação em:

https://www.facebook.com/events/180691552334793/

sexta-feira, 11 de novembro de 2016

STF – o sacrifício de animais nas religiões afro-brasileiras em julgamento


No início do mês de novembro, o Ministro Marco Aurélio, do Supremo Tribunal Federal, liberou para julgamento o Recurso Extraordinário sobre o sacrifício de animais nas religiões afro-brasileiras. Essa pauta não é recente, o referido ministro é relator do recurso desde setembro de 2006. Para melhor compreensão dessa pauta, vou apresentar como ela começou.
Em 2003, a Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul aprovou o Código Estadual de Proteção de Animais (Lei 11.915/03), proposta pelo Deputado e então pastor evangélico Manoel Maria em 1999 (PL 230 1999), cuja redação do segundo artigo versa:

I - ofender ou agredir fisicamente os animais, sujeitando-os a qualquer tipo de experiência capaz de causar sofrimento ou dano, bem como as que criem condições inaceitáveis de existência;
II - manter animais em local completamente desprovido de asseio ou que lhes impeçam a movimentação, o descanso ou os privem de ar e luminosidade;
III - obrigar animais a trabalhos exorbitantes ou que ultrapassem sua força;
IV - não dar morte rápida e indolor a todo animal cujo extermínio seja necessário para consumo;
V - exercer a venda ambulante de animais para menores desacompanhados por responsável legal;
VI - enclausurar animais com outros que os molestem ou aterrorizem;
VII - sacrificar animais com venenos ou outros métodos não preconizados pela Organização Mundial da Saúde - OMS -, nos programas de profilaxia da raiva.
 
Apesar de nenhum parágrafo do artigo proibir o sacrifício de animais em rituais religiosos, líderes das religiões afro-brasileiras, que já estavam se organizando em uma Comissão/Congregação em Defesa das Religiões Afro-brasileiras (CDRA), devido os ataques sofridos pela mídia evangélica, principalmente a Igreja Universal do Reio de Deus, preocuparam-se com o projeto de lei e se mobilizaram prevendo uma possível interpretação fundamentada no preconceito para a proibição do sacrifício ritual de animais em seus cultos, que de fato ocorreu.
A CDRA se articulou e teve o apoio do Deputado Estadual Edson Portilho que apresentou na Assembleia Legislativa o projeto de lei 282/03, para estabelecer exceção no artigo segundo do Código de Proteção de Animais para os rituais de religião de matriz africana, com base no parágrafo seis do artigo quinto da Constituição federal, “é inviolável a liberdade de consciência e de crença, sendo assegurado o livre exercício dos cultos religiosos e garantida, na forma da lei, a proteção aos locais de culto e a suas liturgias”.
Após uma grande discussão, tanto na Assembleia, quanto na mídia local, o projeto do deputado Edson Portilho foi aprovado com 32 votos a favor e 2 contrários, e o Código de Proteção dos Animais, no seu artigo segundo recebeu nova redação ao final: “Parágrafo único - Não se enquadra nessa vedação o livre exercício dos cultos e liturgias das religiões de matriz africana. (Incluído pela Lei n° 12.131/04)”.
Porém, a questão não terminou.
No ano seguinte, abril de 2005, o Procurador-Geral de Justiça do Estado apresentou uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI 70010129690) no Tribunal de Justiça, solicitando a retirada da lei do Deputado Portilho, por considerá-la inconstitucional no plano formal e material. Sendo formal, por não ser competência de o Estado legislar sobre questão penal (o crime de maus-tratos), sendo competência da União (Federal). Material, por infringir o princípio da isonomia, da igualdade de direitos de todas as religiões, de forma que a lei só permite a exceção às religiões afro-brasileiras, e desconsidera outras que também fazem sacrifícios, como o Islamismo e o Judaísmo. Apesar da inconstitucionalidade, o Procurador ressaltou que a proibição do artigo segundo do Código de Proteção dos Animais aprovado antes da alteração proposta pelo deputado Edson Portilho, não pode interferir ou se referir aos sacrifícios de animais dos cultos das religiões afro-brasileiras, visto que “porquanto jamais a liberdade de religião, constitucionalmente garantida, poderia ser afetada decisivamente em seu núcleo essencial por norma protetiva de animais”.
A ADI foi julgada no mesmo mês e ano pelos desembargadores que mantiveram a exceção aos cultos das religiões afro-brasileira. Dessa forma, foi garantida a prática do sacrifício ritual de animais pelas religiões afro-brasileiras no Estado do Rio Grande do Sul, desde que não haja excesso ou requintes de crueldade, como também o sacrifício de animais silvestres e espécies ameaçadas de extinção. Entretanto, no ano seguinte, setembro de 2006, a decisão foi objeto de Recurso Extraordinário no Supremo Tribunal Federal pelo Ministério Público Estadual, sendo atualmente colocado em pauta para julgamento pelo Plenário do Superior Tribunal Federal.
O recurso do Ministério Público do Rio Grande do Sul não visa proibir o sacrifício de animais nos cultos ou liturgia das religiões afro-brasileira, “impedir o sacrifício ritual de animais implica, para esses cultos, a perda da própria identidade da sua expressão cultural” (ADI 70010129690), mas propõe a isonomia na prática do sacrifício, para não dar privilégio apenas a religião de matriz africana. Como também não considera o sacrifício como uma forma de tratamento cruel aos animais, para que ele seja uma exceção ao artigo que se refere a proibição de maus tratos e sofrimento aos animais.
Até concordo, que a redação da lei seja alterada de forma a garantir o livre exercício dos cultos e liturgias das religiões. Porém, o destaque ou exceção dado as religiões afro-brasileiras decorreu do conflito de intolerância e preconceito religioso, principalmente da vertente evangélica neopentecostal.
Após aprovação da Lei 11.915/03 (Código Estadual de Proteção de Animais) em 2003, ocorreu casos de interdição e solicitação de interdição de terreiros devido à prática do sacrifício. O que impulsionou mais ainda a organização e luta da Congregação em Defesa das Religiões Afro-brasileiras pela mudança da lei, evitando esse tipo de interpretação. Além do caso específico no Rio Grande do Sul, em 2015 ele voltou a ser discutido através de Projeto de Lei 21/2015, da deputada Regina Becker Fortunati, que pretendia alterar o Código de Defesa dos Animais para o texto original com o intuito de proibir o sacrifício de animais nos cultos das religiões de matriz africana, não tendo êxito. Outros projetos de leis com a mesma finalidade explicitamente foram discutidos nos municípios de Piracicaba/SP (2010), Santo André/SP (2011), Salvador/BA, São José do Rio Preto/SP (2015), com o mesmo resultado, exceto o caso mais recente no município de Cotia/SP, com a aprovação da lei 1960/2016, que proíbe a utilização e sacrifício de animais em rituais e cultos.
Perante tantos casos, a decisão do Supremo Tribunal Federal poderá por fim a inúmeras tentativas de proibição do sacrifício ritual de animais, em sua maioria propostas por políticos evangélicos, que usam do discurso de defesa dos animais para ocultar a intolerância religiosa. Como também, poderá reforçar e instrumentalizar legalmente essa intolerância, de modo que os religiosos afro-brasileiros serão forçados a mudar sua prática ritual, ou voltar a fazer como seus antepassados em que os cultos eram realizados às escondidas, “rezados baixos”, na época que os cultos afro-brasileiros eram considerados crimes e perseguidos pela polícia.
A liberdade de culto será preservada nesse julgamento? Tenho minhas dúvidas, principalmente no contexto político, jurídico e midiático atual, em que forças conservadoras têm conseguido impor seus interesses. Por isso, é necessária a articulação e organização de toda comunidade religiosa afro-brasileira, a exemplo do que ocorreu no Rio Grande do Sul, para resistir e lutar pela garantia da continuidade de seus cultos e liturgias. 

José Roberto Oliveira dos Santos

terça-feira, 8 de novembro de 2016

Umbanda, patrimônio cultural do Rio de Janeiro


O prefeito Eduardo Paes assinou o decreto que reconhece a Umbanda como patrimônio cultural do Rio de Janeiro. O ato é muito significativo para a religião, por valorizar a herança de matriz africana, principalmente em um tempo marcado pela intolerância religiosa.
Segundo o decreto, a medida visa proteger a religião e apontar a necessidade de políticas públicas que promovam o respeito à diversidade religiosa. O documento também institui o cadastramento dos terreiros onde os cultos religiosos são praticados.

domingo, 6 de novembro de 2016

STEFANIA CAPONE


A antropóloga francesa Stefania Capone é a convidada para a palestra de abertura do Seminário Internacional África Brasil: cultura, fluxos, cidadania, que acontece de 22 a 24 de novembro de 2016, no CCHLA-UFRN.

+ publicações de Stefania Capone



A busca da África no candomblé




A busca da África no candomblé: tradição e poder no Brasil

Stefania Capone

Rio de Janeiro: Contra Capa Livaria; Pallas Editora, 2004.
 

Este é um livro de raras qualidades intelectuais e textuais, capaz de dialogar simultânea e diretamente, em planos distintos, com os pressupostos da “tradição antropológica” francesa e com as literaturas brasileira e anglo-americana sobre os cultos de possessão em geral. Entretecido à luz de um longo e detalhado percurso etnográfico demarcado pela figura de Exu ao longo do século XX no Brasil, Stefania Capone monta e discute seus argumentos com base não só na observação participante, mas também em entrevista e em detalhada documentação iconográfica.
Coo tema central desses argumentos, as relações de poder na construção da legitimidade nos cultos afro-brasileiros, desembocando na demonstração da irredutível, e histórica, constituição mutua entre a “tradição dos orixás” e seus “antropólogos”. Ainda que esse ponto tenha sido abordado antes e depois deste trabalho, a presença do denso cotidiano das casas de cultuo, com seus jogos de poder, dá-lhe uma outra dimensão que revela o intenso uso dos achados desses jogos. Neste ponto de chega, vale enfatizar ainda o belo tom de objetividade alcançado pela autora na permanente reflexão sobre sua própria trajetória de mais de uma década em interação com casas de candomblé e instituições acadêmicas em nosso país.
Longe de olhar estrangeiro que tenta redimir a estranheza do mundo nas quimeras atribuídas ao outro que tenta decifrar ou dominar, Stefania Capone procura explicitar os limites epistemológicos de seu trabalho como elemento de análise dos fluxos e das trocas presentes na permanente recriação das tradições hegemônicas de uma África que teria originado a suposta pureza de parte do candomblé praticado no Brasil e deixado as pegadas a serem “corretamente” refeitas pelos antropólogos que a ele se agregam. Sem pretender a exaustão e a completude de sistema auto-explicativos, A busca da África no candomblé é uma importante inflexão a via de acesso ao entendimento critico da profundidade histórica desse mundo em “crioulização” e “mistura” dos novos movimentos sociais da crença e do sagrado, e por isso, mais que lido, deve ser continuamente retomado em atenção às tensões atribuídas ao futuro das religiões.

Antonio Carlos de Souza Lima

quarta-feira, 2 de novembro de 2016

segunda-feira, 31 de outubro de 2016

Dalton Paula ou a arte de criar territórios negros e silenciosos

Dalton Paula ou a arte de criar territórios negros e silenciosos: Num país de maioria negra e mestiça, ainda temos uma representação absolutamente desproporcional de artistas negros. Não me refiro apenas à cor e à origem. Mas, sobretudo, a uma arte negra, porque impactada por temas da negritude, como faz Lima Barreto para o caso da literatura, e Dalton Paula nas artes plásticas

Adélia Sampaio: primeira negra a dirigir um longa-metragem no Brasil


Adélia Sampaio: primeira negra a dirigir um longa-metragem no Brasil

Adélia Sampaio: primeira negra a dirigir um longa-metragem no Brasil: Mais de 30 anos após o lançamento de

domingo, 30 de outubro de 2016

Novembro da consciência negra


Em novembro, alguns eventos importantes estão programados para marcar o mês da consciência negra na cidade de Natal Rn, entre os quais, destacamos:  

II Seminário da Diversidade étnico-cultural e da consciência negra - De 07 a 10 de novembro de 2016. IFRN - Apodi Rn.

Encontro de Capoeira - Dia 08 de novembro de 2016, às 15 horas. Escola de Saberes Conexão Felipe Camarão - Natal Rn.

Caminhada contra a intolerância religiosa e a favor da diversidade – Dia 12 de novembro de 2016, às 14 horas, Avenida Itapetinga – Natal Rn. 

III Colóquio Afro-Religioso. Vozes negras: construindo espaços de ação.  19 de novembro de 2016, das 08 às 18 h. Ilê Ilé-Ifé Axé Obaluaiyê – Extremoz Rn. 

Atividades alusivas ao dia da consciência negra. Dia 22 de novembro de 2016, das 09 às 22 h. IFRN – Cidade Alta, Natal Rn. 

Seminário Internacional África Brasil: cultura, fluxos, cidadania – De 22 a 24 de novembro de 2016. UFRN – CCHLA. 

I Feira étnica e racial do RN - 26 de novembro de 2016. COEPPIR. Praca Cívica, Natal Rn    

 

quinta-feira, 27 de outubro de 2016

segunda-feira, 24 de outubro de 2016

domingo, 23 de outubro de 2016

Festa de Consagração de Jurema

A Roça de Oxum Ipondá celebrou nessa noite de 22 de outubro, sob a direção da Ya Marlene Alves e do Pai Jeová Brasil, a consagração de Jurema de Juliane e Nazareno. Juliane Ribeiro é neta de Babá Karol, uma das principais referências da Jurema no Estado do Rio Grande do Norte.