quarta-feira, 22 de junho de 2011

Mudanças

Nosso Blog está completando dois anos de existência com mais de vinte mil acessos e mais de 100 seguidores. Isso é ótimo! Não esperávamos tamanha repercussão. Considero que a meta de informar e apresentar questões relacionadas ao universo da cultura afro-brasileira e aos direitos humanos tem sido alcançado.

No entanto, teremos algumas mudanças.

Na próxima semana estarei viajando para o Canadá, onde assumirei atividades acadêmicas durante os próximos meses. Provavelmente minha relação com o Blog vai mudar. Em um primeiro momento pensei em encerrar o Blog. Depois desisti e resolvi continuar mantendo-o, embora não sei como será o formato. Vamos ver o que consigo fazer em meio a uma situação nova de vida.

Aproveito para agradecer a todos que nos tem acompanhado; lêem os posts, deixam recados, divulgam, participam, contribuindo para a sua existência.

Forte abraço para todos. Muito Axé.

terça-feira, 21 de junho de 2011

Revista História

Prezado professor Sérgio Ferreti, bom dia.

Meu nome é Rodrigo e sou pesquisador da Revista de História da Biblioteca Nacional. Fui o responsável pela produção do especial de capa "Sociedades Secretas", principalmente do infográfico denominado "O sucesso do meu segredo".

Gostaria, em primeiro lugar, de agradecer pela mensagem e pela colaboração com a revista. Gostaria, ainda, de esclarecer dois pontos. Em primeiro lugar, o pequeno texto sobre a Jurema não pretende dar conta de toda a complexidade do tema. Em segundo lugar, o fato de figurar em uma mesma seção da revista, sob um mesmo título, com outros grupos, não significa - da nossa parte - que estão em pé de igualdade. As descrições contidas em cada pequeno texto não fazem ligações entre os mesmos, ressaltando apenas a presença do "segredo", que pode funcionar como um elemento de aglutinação entre os membros de um grupo ou despertar interesse por parte aqueles que estão de fora. O fato de a Carbonária, a Jurema, as máfias e o Opus Dei terem o segredo como elemento da sua formação não os torna iguais, e em nenhum momento escrevemos algo que contrarie este pressuposto fundamental.

O objetivo do referido infográfico era chamar atenção para o papel que o segredo desempenha nos mais variados tipos de organização ou grupo, em diversos locais do globo, da América à Ásia, e com as mais variadas funções. Em nenhum momento o objetivo foi estimular preconceitos, mas levar a uma reflexão sobre a função do segredo em diversos momentos e contextos.

Manifesto ao senhor o profundo respeito que a RHBN possui em relação a todas as manifestações culturais e religiosas, que devem, inclusive, ser mais conhecidas de todo o público.

Quanto aos títulos e subtítulos das matérias, eles cumprem o objetivo de chamar a atenção dos leitores para as mesmas, onde o assunto é tratado com profundidade. Não procuramos dar conta de forma completa, através destes recursos, dos temas propostos. Do mesmo modo, não procuramos fazer relações, neste caso específico, entre a postura do clero no período colonial e as questões levantadas no presente - ambos os contextos, é verdade, merecedores de sobriedade no tratamento.

Mais uma vez grato e na certeza de colaborações futuras,

Cordialmente,

Rodrigo Elias
Pesquisador - Revista de História da Biblioteca Nacional
www.revistadehistoria.com.br

domingo, 19 de junho de 2011

Preconceitos

Leiam a seguir trecho da carta que o antropólogo Sérgio Ferretti encaminhou para os editores da “Revista História” sobre textos preconceituosos publicados no exemplar que se encontra nas bancas (nº 69 de junho de 2011) com o tema “Sociedades Secretas”.

“Em relação à reportagem de capa no Dossiê sobre sociedades secretas, achei muito estranho a forma com que é abordado superficialmente o culto da Jurema. O texto sobre a Jurema na página 24 está até sóbrio, o que está chocante é o título e o enfoque com que a matéria é tratada: Indústria do mistério, mistificação, mais mentiras que mistérios (subtítulo da capa). No título e subtítulos da página 25: "O sucesso do meu segredo, Religiões, sociedades ocultista, criminosos, ativistas políticos, Verdadeiros ou inventados... supostas verdades escondias". O culto da Jurema do Nordeste comparado na mesma página e colocado como em pé de igualdade com a Ku Kus Klan, Carbonária, Templários, Ordem dos Assassinos, Opus Dei, Priorado de Sião e outras Máfias.

Como antropólogo penso que esta mistura provoca mais confusão e amplia o preconceito do que esclarece. Uma religião popular do Nordeste, semelhante à Umbanda do sul ou ao Candomblé da Bahia ou a outras religiões é mostrada como forma de mistificação. Se for verdade, todas as religiões podem ser consideradas como forma de mistificação. Como antropólogo, estudioso da cultura e das religiões populares do nordeste, protesto contra o preconceito que esta excelente revista está contribuindo para divulgar.

Como manifestação de protesto, estou encaminhando cópia desta mensagem a colegas antropólogos do Nordeste e de outros Estados que como eu estudam a religiosidade popular no Brasil pedindo que a excelente Revista de História da Biblioteca Nacional evite colaborar na divulgação de preconceitos culturais e religiosos. Creio que esta posição da RH contribui para implantação de uma "guerra santa" que alguns praticantes de certas religiões atualmente querem desenvolver no país.

De forma similar, no mesmo número 69, a matéria assinada pela Dra Lana Lage da Gama Lima, dra em História pela USP e professora da Universidade Estadual Norte Fluminesne, também pode contribuir para a difusão de preconceitos contra o catolicismo. Todos sabemos que a inquisição perseguiu os padres que cometiam o crime da "solicitação". O título e subtitulo da matéria: Ajoelhou tem que rezar. Nos séculos XVII e XVIII muitos padres aproveitavam o momento da confissão para assediar sexualmente as mulheres", a meu ver pode contribuir igualmente para a divulgação de preconceitos. Sei que a Revista de História gosta de títulos que chamem a atenção do leitor, mas alguns parecem chamar atenção para o escândalo como forma de despertar o interesse do leitor. É claro que é importante o esclarecimento do público e o melhor conhecimento de nossa realidade cultural do passado. Mas atualmente com as críticas à pedofilia, à exploração das mulheres, acho que o tratamento deste tema deveria ser feito com mais sobriedade, sobretudo nos títulos.

É a minha opinião. Continuarei lendo a Revista de História e discutindo com meus alunos e orientandos, mas creio a antropologia nos ajuda a lidar com mais cautela contra os julgamentos de valor".

Atenciosamente,
Sergio Ferretti - Antropólogo - Professor Emérito da UFMA.

sexta-feira, 17 de junho de 2011

Projeto que suspende o Decreto 4.887/03 e derruba terras quilombolas na pauta da Câmara para julho

A presidência da Câmara dos Deputados deverá colocar na pauta de julho dois Projetos de Decretos Legislativos considerados prioritários. O primeiro, da maior gravidade, é o PDC 44/07, que suspende todos os atos praticados pelo Executivo com base no Decreto Presidencial 4.887/03, o que significa tornar inválidas todas as concessões de terras às comunidades de quilombolas.

O segundo é o PDC 47/07, que susta a ampliação da Terra Indígena Xapecó, localizada nos municípios de Abelardo Luz e Ipuaçu, Santa Catarina.

Os dois projetos têm o mesmo autor – o deputado Valdir Colatto, do PMDB de Santa Catarina. O PDC 44/07, entretanto, é também assinado por Waldir Neves, do PSDB de Mato Grosso do Sul. O Decreto 4.887/03 foi editado no primeiro mandato de Lula, para retomar os processos de concessão de títulos de propriedade para comunidades quilombolas, que haviam sido interrompidos no governo anterior.

Fonte: www.koinonia.org.br

sábado, 11 de junho de 2011

Fotografias no terreiro

A fotografia sempre foi um objeto de atração, seja para aquele que quer contemplar ou captar uma imagem. Isso por vários motivos, desde o registro documental de uma situação ou contexto até aqueles de ordem pessoal e subjetiva.

Na antropologia a fotografia acompanhou alguns dos pesquisadores clássicos como Malinowski, Margaret Mead, Gregory Bateson, tomando o documento fotográfico como referencia de conhecimento das culturas estudadas. No Brasil são conhecidas as coleções do escritor paulista Mário de Andrade em suas andanças pelo Brasil fotografando o que ele chamava de brasilidade, as diversas manifestações das culturas populares. As coleções de Pierre Verger perpetuam o universo religioso do candomblé baiano.

Alguns terreiros possuem seus acervos fotográficos como base para as recordações, lembranças, confirmando o que nos ensina o pensador francês Roland Barthes, que a fotografia é um índice do passado que faz ponte com o presente. Essas lembranças guardadas em papel, compartilhadas com os membros integrantes da casa religiosa, contribuem para manter viva a história da trajetória da casa, alimentando a memória do grupo e sua construção de pertencimento e identidade.

sexta-feira, 10 de junho de 2011

Defesa de Dissertação de Mestrado

Quilombo urbano Maloca:
territorialidade e ressignificação de processos identitários


Franklin Timotéo Souza do Espírito Santo

Banca:
Luiz Assunção – Orientador – UFRN
Hippolyte Brice Sogbossi – UFS
Lisabete Coradini – UFRN

Data: 13/06/2011
Hora: 14:00h
Local: Auditório A – CCHLA (Azulão)
UFRN

terça-feira, 7 de junho de 2011

Mesa para os Pretos Velhos


Ontem à noite fui à casa de Pai Marcone (Tatá Rya Inkice Kuiazambi). Na semana passada ele telefonou-me informando e convidando-me para participar da mesa para os Pretos Velhos que faria nesta noite de 06 de junho.


No início da noite segui para o bairro de Lagoa Azul. A chuva forte que caía e o engarrafamento de carros que encontrei no caminho me atrasou um pouco e quando lá cheguei duas Pretas Velhas já estavam em terra. Participei de toda a seqüência ritual: as prosas das entidades, a limpeza e proteção com galho de arruda, a distribuição do pão e do vinho, compartilhar os vários cânticos. Uma mesa farta de comidas estava posta e não demorou muito para ser repartida, como um grande banquete, entre os presentes.



sábado, 4 de junho de 2011

quarta-feira, 1 de junho de 2011

José Flávio Pessoa de Barros

Faleceu nesta segunda feira, dia 30/05, aos 66 anos de idade, o professor José Flávio Pessoa de Barros. Docente da UFRJ e UERJ com experiência na área de Antropologia das Populações Afro-Brasileiras, principalmente no tema das religiões afro-brasileiras, publicou entre outros, os livros: Ewe Orisa: uso litúrgico e terapêutico de vegetais e O segredo das folhas: sistema de classificação de vegetais no candomblé jêje-nagô do Brasil.