sexta-feira, 31 de outubro de 2025

O diálogo com Sidarta Ribeiro


  

FLIPIPA - Feira Literária da Pipa, em sua nona edição foi realizada no período de 30/10-01/11, no município de Tibau do Sul – RN, reunindo nomes importantes da literatura e das artes potiguares e cenário nacional.  

No dia 31/10, às 09 horas, participei como mediador da Mesa Literária 1 – “Sonho, Telas e Memórias”, às 09 horas do dia 31/10 com o neurocientista Sidarta Ribeiro. O diálogo tomou por referência os livros publicados, entre os quais: “O oráculo da noite” (Cia. das Letras, 2019), “Sonho manifesto” (Cia. das Letras, 2022), “Limiar” (Cia. das Letras, 2020) e “As flores do bem” (Fósforo Editores, 2023).

Reconhecido professor, pesquisador, escritor, Sidarta Ribeiro é professor titular e um dos fundadores do Instituto do Cérebro da Universidade Federal do Rio Grande do Norte – UFRN. Para além das atividades acadêmicas, tem desempenhado uma ação muito importante de divulgação da ciência. Seu trabalho tem chegado a diversos espaços, mídias e suportes. Internet, cinema, teatro. Outro aspecto que é importante destacar, sua escrita e a palavra (ou a letra e a voz), uma linguagem acessível, com densidade científica, que chega ao público não acadêmico.

Embora o roteiro programado procure seguir o título da mesa, começo a perguntar sobre sua entrada na biologia, ainda na graduação. Não pretendo fazer uma linha do tempo, mas gosto de pensar as construções das trajetórias, dos caminhos. Escolhas. Conflitos.  

Cito uma frase do livro “Limiar” (p.23), quando expressa: “Nunca fui tão livre nem feliz na ciência quanto naqueles anos mágicos em que tudo parecia possível” (contexto do doutorado, em Nova York, 1995). Foi a deixa para saber sobre ciência e liberdade.

Sigamos para o tema do sonho, central em sua obra. Será possível traduzir em tão pouco tempo a importância da pesquisa sobre o sonho? Sidarta destaca que vai tomar o caminho da reflexão sobre o uso excessivo das telas na sociedade contemporânea. Fala enfaticamente sobre a urgência política do tempo presente.    

Diante de tantos riscos e questões que perpassa o tema “telas”, pergunto se é possível uma orientação para mães e pais. Insisto no tema do sonho e ressalto que li ou ouvi, não recordo, uma fala dele sobre a importância do dormir para o processo de aprendizagem. Na sala, uma presença forte de professoras e professores do ensino fundamental e médio interage com o professor.  

Antes de encerrar peço para falar sobre a cannabis, sobretudo porque existe mita desinformação. O tema tem relação com várias questões: a questão moral, a discriminação social, o tratamento da saúde, legislação, tema jurídico, etc. Essa discussão também é urgente, diz respeito a saúde a à vida. Existe avanço? como está a questão do acesso e a legislação?

O encontro chega aos minutos finais. Sidarta externa a vontade de responder perguntas do público. Ainda no palco, atende aos que desejam a lembrança do livro autografado.

 

Publicação da Agência Saiba Mais - ”Precisamos parar o sistema”: o alerta de Sidarta Ribeiro.

https://saibamais.jor.br/2025/10/precisamos-parar-o-sistema-o-alerta-de-sidarta-ribeiro/

quarta-feira, 29 de outubro de 2025

+ uma Tese Concluída

 

MOBILIDADE E AGÊNCIA ESPIRITUAL: TRANSNACIONALIZAÇÃO DAS RELIGIÕES AFRO-BRASILEIRAS EM MADRID A PARTIR DO ILÊ OGUM OIÁ AXÉ ODARA.

LORRAN LIMA DE ALMEIDA

(Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social – Departamento de Antropologia – PPGAS/DAN/UFRN)

 

RESUMO: Esta tese investiga como a mobilidade de pessoas e a agência de entidades espirituais influenciam a transnacionalização das religiões afro-brasileiras. O campo de pesquisa se concentra no Ilê Ogum Oiá Axé Odara, em Madrid, Espanha, onde se praticam Umbanda, Quimbanda e Batuque de Nação Jeje-Ijexá. Para alcançar o objetivo proposto, foi realizada uma etnografia orientada pela disposição em ser afetado pelo campo (Favret-Saada, 2005) e pela atenção às formas de habitar o mundo (Ingold, 2015), fundamentando-se na construção compartilhada do conhecimento. A partir das trajetórias do sacerdote Raul de Ogum e de seus deslocamentos entre Brasil, Uruguai e Espanha, a tese analisa como esses movimentos contribuíram para a formação religiosa e o fluxo das religiões afro-brasileiras. Nessa perspectiva, a análise adota a noção de movimento (Ingold, 2018). O terreiro, por sua vez, afirma-se como espaço de pertencimento, sustentado por doutrinas que atuam como pedagogias para garantir sua legitimação e a continuidade das práticas religiosas. A mobilidade de pessoas também é apresentada como fator importante na formação e consolidação do terreiro, pois é por meio dela que se configura a etnopaisagem (Appadurai, 2004) de praticantes cujas trajetórias convergem nesse espaço, enquanto a atuação do antropólogo é compreendida como parte dessa dinâmica, favorecendo a expansão das redes de contato. Por fim, a tese discute a agência das entidades espirituais como dimensão central na produção de vínculos, na expansão das redes e na consolidação do terreiro como espaço legítimo de experiência religiosa. A agência das entidades é pensada a partir do diálogo com os debates clássicos sobre agência (Gell, 2016; Ortner, 2007; Latour, 2012) e com as reflexões recentes sobre a vida social dos espíritos (Blanes e Espírito Santo, 2014). Conclui-se que a transnacionalização das religiões afro-brasileiras é formada tanto pelas trajetórias humanas quanto pela agência das entidades espirituais.

Palavras-chave: Antropologia da Religião; Religiões Afro-Brasileiras; Agência de Entidades Espirituais; Mobilidade; Transnacionalização.

Banca Examinadora:

Profa. Dra. Stefania Capone (CNRS, França/USP, Brasil)

Profa. Dra. Maria Clara Saraiva (ICS - Universidade de Lisboa, Portugal)

Profa. Dra. Lisabete Coradini (PPGAS/DAN/UFRN)

Profa. Dra. Eliane Tânia Martins de Freitas (PPGAS/DAN/UFRN)

Prof. Dr. Luiz Carvalho de Assunção (PPGAS/DAN/UFRN) – Orientador



 

 

 

quarta-feira, 15 de outubro de 2025

Rei Sebastião

 


O Grupo de Estudos Culturas Populares e Religiosidades (DAN/PPGAS/UFRN) convida para o ENCONTROS, a professora Sariza Caetano, do Programa de Pós-Graduação em Estudos de Cultura e Território da Universidade Federal do Norte do Tocantins (UFNT), que ministrará a palestra “Rei Sebastião: do Reino de Portugal para a Encantaria Amazônica”.

Data: 22 de outubro de 2025
Horário: 14h30
Local: Auditório C – CCHLA/UFRN

domingo, 5 de outubro de 2025

“Antropologia dos Arquivos” na Sala Zila Mamede

 

No post anterior escrevemos sobre a experiência da disciplina “Antropologia dos Arquivos” ao demonstrar o tratamento dado ao documento desde o processo inicial de restauração, conservação, digitalização até a fase do acondicionamento. Agora vamos compartilhar a atividade de conhecer a estrutura e organização de um arquivo específico. 

O termo arquivo se refere a “um tipo de instituição de guarda de documentos”, conforme se refere Celso Castro (2008). Os documentos podem ser manuscritos, livros, artefatos, registros audiovisuais, entre outros, no formato físico ou digital, organizados e mantidos sob a guarda de uma pessoa, um coletivo, uma entidade pública ou privada. 

Nossa aula-visita foi na Sala Zila Mamede, criada em 2016, em homenagem à memória de Zila da Costa Mamede (1928-1985). O espaço está localizado no setor de Coleções Especiais da Biblioteca Central Zila Mamede – UFRN, onde se encontra a coleção particular de livros e o arquivo documental da referida professora, escritora, poeta, bibliotecária, criadora do Sistema de Bibliotecas da UFRN e sua primeira diretora.   

O acervo de Zila Mamede, doado por sua família, é composto por sua coleção de livros (1.214 títulos), manuscritos (1.037), correspondências pessoais enviadas e recebidas, cartões postais, fotografias, agendas, álbuns de viagens, cadernos de estudos, documentos pessoais, diplomas, certificados, placas de homenagem, medalha de honra ao mérito, objetos, móveis originais, como um birô, cadeiras, estantes de livros e a máquina de escrever, entre outros itens.

A bibliotecária Angelike Silva apresentou e explicou a história da formação do acervo, o sistema de catalogação da coleção de livros e as normativas que orientam os procedimentos de organização que estrutura o arquivo.

Na observação dos documentos, alguns detalhes chamam atenção e diz respeito à organização de Zila, como o carimbo posto na primeira página de cada livro, onde se lê: “Biblioteca Particular de Zila Mamede – Natal – RN”. Entre os muitos exemplos é possível citar o livro com o registro do acervo que compõe sua biblioteca e o álbum de viagem em que vai registrando os diversos eventos que participa e, inclusive, guardando cartões, folhetos, tickets de compras e pagamentos realizados.    

Zila Mamede publicou: Rosa de Pedras (1953), Salinas (1958), O arado (1959), Exercício da palavra (1975), Navegos (Poesia reunida 1953-1978, incluído Corpo a Corpo (1978), A Herança (1984). Como obra de referência, publicou: Luís da Câmara Cascudo: 50 anos de vida intelectual: 1918-1968: bibliografia anotada, e, Civil Geometria: bibliografia crítica, analítica e anotada de João Cabral de Melo Neto, 1942-1982. 

A Sala Zila Mamede não é apenas um espaço em que se guarda cuidadosamente um acervo, mas a materialização do respeito à memória da escritora. Penso que deve ser tomado como exemplo por outras instituições. A propósito: você tem conhecimento de outros espaços arquivos na cidade? 







Fotografias: Fábio Oliveira.

Clique na foto para ampliar.

Alunas/os da disciplina “Antropologia dos Arquivos”:

Danielly Francisca do Nascimento, Ederson Marcos Teixeira, Eduardo da Costa Nascimento, Marcella Pâmella da Silva, Márcio Garcia de Lima, Pedro Henrique de Oliveira Silva, Rafael do Rosário Roque da Silva, Raul Porpino Paiva Araújo Costa, Rodrigo Franco Silva da Rocha, Rosiane Lucas Albino, Thayssa Nunes de Brito.

Estágio docente: Fábio Oliveira.

Para saber +    

Castro, Celso. Pesquisando em arquivos. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 2008.

Castro, Marize Lima de. Uma mulher entre livros: Zila Mamede e o silencioso exercício de semear bibliotecas. Dissertação. Mestrado em Educação. UFRN. Natal, 2004.

Figueiredo, Gildete Moura de. Cronologia sobre Zila Mamede (1953-1985). Pesq. Bras. em Ciências da Informação e Biblioteca. João Pessoa, v.14, n.3, p. 64-97, 2019.

Macêdo, Patricia Ladeira Penna; Cunha, Jacqueline Araújo. Contribuições do arquivo pessoal de Zila Mamede para a história da Biblioteca Central da Universidade Federal do Rio Grande do Norte. Acervo, Rio de Janeiro, v. 37, n. 1, p. 1-17, jan./abr. 2024.

Monteiro, Rejane Lordão. O bibliotecar de Zila Mamede. Pesq. Bras. em Ciências da Informação e Biblioteca. João Pessoa, v. 16, n.1, p.1-34, 2021.

 


O ano começa com HOMENAGENS

  O ano começa com HOMENAGENS: O Grupo de Articulação de Matriz Africana e Ameríndia do Rio Grande do Norte –  GAMA/RN  tem a honra de enc...