quinta-feira, 14 de maio de 2026

Adorei as almas

 




Preta velha dá o pão

Preta velha dá o vinho

Preta velha no terreiro

Vai abrir nossos caminhos

 

A festa dos pretos-velhos é uma celebração religiosa muito comum na Umbanda e presente em algumas casas de Candomblé. Ela homenageia os pretos-velhos, entidades espirituais associadas à sabedoria, paciência, acolhimento e cura espiritual. 

No Centro Pai Oxalá, casa de umbanda situada no bairro Potengi, em Natal/RN, o dia 13 de maio possui um significado especial. Sob a condução de mãe Socorro (Maria do Socorro Ângelo), realiza-se a tradicional festa em homenagem aos pretos-velhos, com destaque para a preta-velha tia Maria do Rosário, guia espiritual da dirigente da casa. 

Conheci mãe Socorro por intermédio de sua mãe de santo, mãe Terezinha (Terezinha de Oliveira Pereira), filha de Oxalufã e dirigente do Centro Cabocla Yara Vovó Sinhá, localizado no Conjunto Soledade II. Naquele período, no início dos anos 2000, eu desenvolvia um projeto de mapeamento dos terreiros da zona norte de Natal e cheguei a participar de toques semanais e de diversas festas do calendário religioso realizadas em ambas as casas. Entre as celebrações dedicadas aos santos e às entidades espirituais, destacava-se a festa dos pretos-velhos, tanto pela organização quanto pela inclusão da reza do rosário e pela devoção a tia Maria, evidenciando uma busca espiritual marcada pela interação entre o universo umbandista e o catolicismo popular. 

A festa inicia-se pontualmente às 18 horas. O salão principal encontra-se especialmente decorado, destacando-se uma mesa ornamentada com flores e outros elementos que evocam as entidades homenageadas. A celebração desenvolve-se em três momentos distintos: o primeiro consiste na abertura com a defumação, seguida dos toques dedicados a Ogum e aos caboclos. A gira conta com a participação de vinte e cinco pessoas, com predominância feminina, além de três ogãs e um coro formado por três mulheres cantoras. No segundo momento, entoam-se cantos para os pretos-velhos e, por fim, deixam o salão e seguem para a capela onde realiza-se o rosário de Tia Maria.

Para encerrar a noite, uma mesa abundante é cuidadosamente preparada para a partilha coletiva dos alimentos — ninguém pode ficar sem comer. A fartura se revela na feijoada acompanhada de carne, arroz e farofa, servida no primeiro momento, e nos bolos, na canjica, na pamonha, nas cocadas, no pão, no café, nos sucos, entre outros alimentos que complementam a refeição. A distribuição de comida, presente após determinadas celebrações religiosas e festividades das religiões afro-brasileiras, integra a compreensão do mundo religioso e das relações sociais construídas no âmbito do terreiro, assim como ocorre em diversos festejos populares brasileiros.

  


  




Na foto:  Seu Antônio Rosalvo, o filho mais velho da casa e mãe Socorro.

 



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Fotos: Luiz Assunção.


 

 


terça-feira, 12 de maio de 2026

ENCONTROS

 

O dia foi marcado por encontros acadêmicos que reuniram pesquisadores em torno da partilha de temáticas e experiências de pesquisa. O primeiro deles, intitulado “Interagências mais-que-humanas: construindo mundos e imaginários urbanos com os mortos”, ocorreu às 10h, no Auditório C do CCHLA, e contou com a participação da doutoranda Elisa Gonçalves Rodrigues, do Programa de Pós-Graduação em Sociologia e Antropologia da Universidade Federal do Pará (UFPA). Inserida no campo da Antropologia da Morte, a pesquisa foi realizada em Belém/PA e busca compreender os mundos de vida construídos após a perda de um ente querido, abrangendo dimensões como emoções, relações com espaços urbanos, imaginários urbanos, agências e objetos sacralizados. 

O segundo encontro aconteceu às 19h, com a participação do doutorando Carlos Henrique Duarte Araújo, do Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), convidado para apresentar a pesquisa “Uma etnografia na escola: dinâmicas de corpos-territórios com alunos/as do Ensino Médio”. A palestra foi realizada na turma da disciplina “Antropologia e Educação”, do curso de graduação em Ciências Sociais, no Setor de Aulas II do CCHLA/UFRN. Desenvolvida em uma escola pública de Natal/RN, a etnografia tem como foco as práticas artísticas produzidas pelos/as estudantes, como desenhos, zines, colagens, slams e encenações. O objetivo é compreender de que modo essas produções atuam como linguagens de ressignificação dos percursos formativos e das experiências cotidianas dos/as alunos/as, configurando dinâmicas de corpo-território no espaço escolar, conforme destaca o pesquisador. 

Elisa Rodrigues é doutoranda e mestra em Sociologia e Antropologia (UFPA). Graduada em Ciências Sociais (UFPA). Coordenadora do Grupo de Estudos e Pesquisa em Antropologia da Morte (GEAM). Membro da diretoria (2025-2029) da Associação Brasileira de Estudos Cemiteriais (ABEC) e da Associação Brasileira de Antropologia (ABA). Desenvolve estudos e pesquisas nas áreas Cemiteriais, de Antropologia e Psicanálise, especialmente nos seguintes campos: Antropologia da Morte, dos Mortos e do Morrer, Antropologia das Emoções, Antropologia Urbana, Imaginário, Memória, Luto, Ritos de Passagem, Interagências e sociabilidades entre humanos e não-humanos. 

Carlos Henrique é doutorando e mestre em Antropologia Social (UFRN). Graduado em Ciências Sociais pela universidade Estadual Vale do Acaraú (UVA-Ceará). Foi bolsista da CAPES no Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência (PIBID) e no Programa Residência Pedagógica (PRP). Integra o Projeto de Extensão Equatorial, vinculado à Revista Discente Equatorial do Departamento de Antropologia da UFRN, onde atua presentemente como editor-geral. Desenvolve pesquisas nas áreas de Antropologia na Educação, interseccionalidades, subjetividades, Antropologia das formas expressivas, culturas populares, memória, oralidade e imagens.

 



Na foto: Karolyny Alves, Prof. Humberto Santana Jr., Elisa Rodrigues, Caio Vinicius Soares, Sasha Araújo, Prof. Luiz Assunção e Lorran Almeida. 


Na foto: Mabele Cunha, Carlos Henrique e Prof. Luiz Assunção. 


Na foto: Mabele Cunha, Carlos Henrique e Prof. Luiz Assunção com alunas e alunos da disciplina “Antropologia e Educação” – Curso de Licenciatura em Ciências Sociais (UFRN), 11/05/2026.










sexta-feira, 1 de maio de 2026

AGENDA de Maio 



O Grupo de Estudos Culturas Populares e Religiosidades (DAN/PPGAS/UFRN) convida a comunidade acadêmica e demais interessados para mais uma edição dos ENCONTROS, com a participação de Elisa Rodrigues, que apresentará “Interagências mais-que-humanas: construindo mundos e imaginários urbanos com os mortos". Doutoranda e Mestra em Sociologia e Antropologia (UFPA). Coordenadora do Grupo de Estudos e Pesquisa em Antropologia da Morte (GEAM). Membro da diretoria (2025-2029) da Associação Brasileira de Estudos Cemiteriais (ABEC).

 📅 Data: 11 de Maio de 2026

⏰ Horário: 10h

📍 Local: Auditório C – CCHLA/UFRN



A ação de extensão “Pensamento Brincante: sobre viver a cultura” – 4ª edição propõe rodas de conversa e oficinas com importantes mestras da cultura popular potiguar, promovendo o diálogo entre universidade e saberes tradicionais. Participam desta edição: 

Mestra Francisca Correia Melo da Silva e Mestra Cecília de Melo Gonçalves, do Boi de Reis de Extremoz; 

Mestra Helena Correia dos Prazeres, do Pastoril Estrela do Amanhã, da Vila de Ponta Negra. 

📅 Data: 14/05/2026 (quinta-feira)

⏰ Horário: 18h30 às 21h30

📍 Local: Auditório B do CCHLA/UFRN – Roda de conversa e oficina com Mestra Francisca e Mestra Cecília


 📅 Data: 15/05/2026 (sexta-feira)

⏰ Horário:  18h30 às 21h30

📍 Local: Sala B do DEART/UFRN – Roda de conversa e oficina com Mestra Helena 

As inscrições podem ser realizadas via SIGAA. Em caso de dificuldades, os interessados poderão entrar em contato pelo e-mail: sanfede@hotmail.it.

 

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