quarta-feira, 31 de dezembro de 2025

Retrospectiva 2025

 

JANEIRO:

Participação no VIII Encontro de Juremeiros de Natal – Pinacoteca do Estado – Natal

Lançamento do Projeto Arquivo Afro-Religioso – Complexo Cultural da UERN

ABRIL:

Realização do Seminário Grupo de Estudos Culturas Populares e Religiosidades – CCHLA/UFRN

MAIO:

Grupo de Estudos CPeR recebe o jornalista doutor Marcelo Leite (Jornal Folha de SP). CCHLA/UFRN

JUNHO:

Participação como entrevistado do Pod cast Revista FAPESP – São Paulo

AGOSTO:

Diploma de reconhecimento concedido pelo Centro Espírita de Umbanda Cabocla Anay – Natal

SETEMBRO:

Aula de campo da disciplina Antropologia Brasileira – Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Norte – Natal

Aula de campo da disciplina Antropologia dos Arquivos – LABRE Laboratório de Restauração e Conservação de Documentos – Departamento de História – UFRN

OUTUBRO:

Aula de campo da disciplina Antropologia dos Arquivos – Acervo Zila Mamede – Setor de Coleções Especiais da Biblioteca Central Zila Mamede – UFRN

Grupo de Estudos CPeR recebe a professora doutora Sariza Caetano, do Programa de Pós-Graduação em Estudos de Cultura e Território da Universidade Federal do Norte do Tocantins (UFNT). Palestra na atividade Encontros. CCHLA/UFRN

Participação presencial como membro de banca de doutorado na Faculdade de Educação – USP. São Paulo

Participação como mediador na Mesa Literária Sonho, Telas e Memórias. FLIPIPA Feira Literária de Pipa – Tibau do Sul

NOVEMBRO:

Grupo de Estudos CPeR recebe o professor doutor Humberto Santana Jr. Professor visitante do Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social – UFRN. Palestra na atividade Encontros. CCHLA/UFRN

Participação da Audiência pública promovida pela Ordem dos Advogados do Brasil/RN. “Intolerância religiosa e liberdade de crença”. Natal

Participação presencial como Membro da Comissão Nacional de Mérito do Prêmio Rodrigo Melo Franco – IPHAN – Brasília

 

 

segunda-feira, 29 de dezembro de 2025

Festa no Caboclo Aracati

 

Noite de festa, neste domingo (28/12), no Centro Caboclo Aracati, para comemorar os 30 anos de Jurema do Mestre Cleone Guedes.

 

 

 

 

 


sábado, 20 de dezembro de 2025

IMPERDÍVEL! Livro + Conversa

 VIDAS ATIVAS: História de três mulheres na Ásia


Apresentação de livro + conversa

Vidas Ativas - Histórias de três mulheres na Ásia

Ana Gretel Echazú Boschemeier (Editora)

Coletivo Boas Práticas / CNPq


Entrada aberta e gratuita

Data: Domingo 21/12Horário:16 às 18h30

Modalidade: Presencial


Aonde mesmo? MAHALILA Café & Livros

Rua Nívea Madruga, 19 – Potilândia


"Apresentaremos em Natal o livro bilíngue “Vidas Ativas: Histórias de Três Mulheres na Ásia” (texto em inglês e português), que foi o resultado de dois anos de trabalho e elaborado com a finalidade de traçar pontes entre lutas geograficamente distantes, mas talvez não tão diferentes como pensaríamos. O texto trata de narrativas de vida sobre ativismos, gênero e espiritualidades no Sul Global, e foi desenvolvido a partir da escuta-homenagem a três mulheres, intelectuais e ativistas asiáticas que a autora e compiladora teve a possibilidade de conhecer durante a sua estância de pesquisa (TWAS-UNESCO) na Tailândia no ano 2022: a pioneira monja do budismo Theravada, Dhammananda Bhikkhuni, e as intelectuais ativistas Amporn Marddent e Monira Ashan. O livro contém traduções de entrevistas e ensaios escritos por elas três, além de notas e registros de interlocutoras engajadas como Karina Bidaseca, Sandra S. Fernandes e Lucrecia Greco, que discutem os temas trazidos por essas mulheres asiáticas desde uma perspectiva latinoamericana. Se tiveres interesse nesses temas, pode chegar junto - serás muito bem vinde" (Ana Gretel).


+ um TCC concluído

 

MEMÓRIA E RESISTÊNCIA: A Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos, Natal-RN.

RODRIGO DE ARAUJO JUNIOR – Curso de Licenciatura em Ciências Sociais – UFRN.

RESUMO: O presente trabalho de conclusão do curso de graduação em Ciências Sociais tem como objetivo apresentar considerações a respeito da memória e resistência na Igreja de Nossa Senhora do Rosário em Natal-RN. A pesquisa foi realizada em dois momentos: no período de 18 de julho a 30 de agosto de 2024 e no período de 04 de março a 19 de novembro de 2025. A perspectiva metodológica da abordagem qualitativa, adotada durante a pesquisa, propiciou uma maior profundidade na percepção do objeto de investigação e o recolhimento dos dados foi elaborado por meio de entrevistas semiestruturadas, observação participante e análise de documentos. O campo de observação foi as atividades religiosas realizadas na Igreja de Nossa Senhora do Rosário do Pretos, em Natal-RN, propiciando reflexões sobre o espaço religioso e as disputas de memórias, ao qual tradições, resistências e silenciamentos se enfrentam. Entre as referências conceituais o trabalho dialoga com as ideias sobre memória social (Maurice Halbwachs, Jacques Le Goff), patrimônio cultural e lugares de memória (Pierre Nora) e narrativa histórica e silenciamento (Marc Ferro).  

Palavras-chave: Memória coletiva; Religião; Diversidade; Resistência cultural; Racismo;

 

terça-feira, 16 de dezembro de 2025

Entrelaçando ciências


Dezembro se inicia (04/12) com a apresentação do trabalho de conclusão do curso de licenciatura em Ciências da Religião – UERN, da aluna Flaviana Maia da Rocha de Sena Cunha – mãe Flavinha de Oxum, a jovem mãe do Ilê Axé Dajô Obá Ogodô (Casa do Axé e da Justiça do Rei Xangô), militante do movimento social e participante de coletivos ligados as comunidades tradicionais de terreiro. 

Entrelaçando ciências: gênero e possessão a partir da memória discursiva de duas gerações da Casa de jurema Mestre Carlos (Extremoz-RN)” é o título deste trabalho que foi orientado pelo Prof. Dr. Genaro Camboim Lopes de Andrade Lula (UERN) e contou com a comissão de avaliação formada pela Profa. Dra. Antoinette de Brito Madureira (UFRN) e os professores doutores Luiz Assunção (UFRN) e Mailson Cabral (UERN).  

Amparada por referências bibliográficas em torno das categorias de gênero e possessão, a pesquisa realizada tem por foco “compreender como a possessão com entidades espirituais, em destaque, as femininas, atualizam sentidos do cuidado, da autoridade espiritual e da resistência no corpo-juremeiro”. A opção por uma metodologia qualitativa e etnográfica segue um percurso de campo em que a própria autora compartilha espaços vividos, diálogos, conhecimentos e reflexões que vão sendo tecidas no cotidiano e no texto escrito.

Além da introdução e conclusão, na qual explicita, respectivamente, a proposta da pesquisa, a questão principal, as referências bibliográficas e categorias com as quais tece o trabalho, como as de gênero e possessão (Birman, Hayes, Lages, Queiroz, Lewis) e jurema sagrada (Assunção, Brandão e Rios, Souza, Silva, Ramos), o capítulo denominado de “entrelaçando ciências e saberes” apresenta a Casa de Jurema Mestre Carlos, território encantado e campo da pesquisa; as vozes e as narrativas de duas gerações, a de Mestre Melquisedec e Mãe Preta, e a geração de Larissa, Canniggia e da própria autora.

As considerações finais do estudo revelam as relações de gênero no universo religioso, atravessando “o cotidiano ritual, reconfigurando papéis espirituais e sociais”. Destaca que “o diálogo entre as gerações mostra que a tradição juremeira se sustenta pela memória coletiva e pela capacidade de reinvenção, confirmando o sagrado como espaço de criação e resistência”. E que especificamente sobre as experiências de possessão, estas “expressam negociações de poder, cura e pertencimento”.  

O trabalho de conclusão de curso de Flaviana Maia da Rocha de Sena Cunha precisa ser conhecido, lido, pesquisado, por todas e todos, pelo público acadêmico e das comunidades tradicionais de terreiro. Em breve estará disponível no repositório institucional da UERN.

Por último, quero destacar a importância deste trabalho em sua qualidade teórica-metodológica, mas também na escolha temática, na escritura do texto e articulações das referências bibliográficas trabalhadas. E, sobretudo, o exemplo positivo que significa esse momento do diploma acadêmico, em uma universidade pública de qualidade, em especial, para mãe Flavinha e as comunidades de terreiro.     

 

 


sexta-feira, 28 de novembro de 2025

Prêmio Rodrigo Melo Franco

 

Nesta última terça-feira (25) foi divulgado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) o resultado do 38º Prêmio Rodrigo Melo Franco, que contemplou 18 ações vencedoras.  

Tive a honra de integrar a Comissão Nacional de Mérito. Durante a semana de 10 a 14 de novembro estivemos reunidos na sede da instituição, em Brasília, para a realização da avaliação final. A comissão contou com 14 membros, incluindo gestores e servidores do Iphan, da Fundação Cultural Palmares, do Ministério dos Povos Indígenas, do Ministério das Cidades, docentes de universidades públicas e representantes da sociedade civil.

Para o Prêmio deste ano, foram realizadas 876 inscrições, das quais 834 foram habilitadas e avaliadas pelas comissões estaduais. Destas, 175 ações seguiram para a etapa nacional e após avaliações produzidas pela equipe técnica da instituição, 34 chegaram à fase final de julgamento.  

O Prêmio foi criado em 1987 e homenageia o advogado, jornalista e escritor que presidiu o órgão por 30 anos e foi responsável pela criação do Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Sphan), antecessor do IPHAN.

https://www.gov.br/iphan/pt-br/assuntos/noticias/iphan-divulga-lista-preliminar-dos-vencedores-do-premio-rodrigo-2025



domingo, 23 de novembro de 2025

“Intolerância religiosa e liberdade de crença”: Audiência Pública na OAB/RN

 

A convite da Dra. Mikaelle Costa, Presidenta da Comissão Especial de Igualdade Racial da Ordem dos Advogados do Brasil – OAB/RN, participei da Audiência Pública que teve por tema “Intolerância religiosa e liberdade de crença”. A proposta é pensar ações de enfrentamento da intolerância religiosa, que em número estatístico tem aumentado consideravelmente no Estado do RN.

A audiência, realizada no dia 18 de novembro, se integra a um conjunto de atividades promovidas durante o Novembro da Consciência Negra e contou com representantes de instituições e órgãos do Governo do Estado, Polícia Militar, UFRN, Judiciário, além de lideranças de terreiros e membros da sociedade civil.

Quando iniciei meu encontro com os terreiros de Natal (1988), aos poucos fui conhecendo e compreendendo a importância cultural do universo religioso dos terreiros, eles estavam espalhados por praticamente toda cidade. Meu percurso foi muito peculiar, os pais e mães foram me fazendo caminhar por diferentes casas, criando um movimento de circulação, de idas e vindas com os terreiros. Com o tempo, entre tantos ensinamentos, aprendi os códigos simbólicos que identificava a comunidade de terreiro na rua e no bairro, uma vez que não existia uma escrita que a nominasse. A cidade teimava em desconhecer a existência dos terreiros e a temática não podia ser tratada institucionalmente, como por exemplo, na escola e, inclusive, na universidade. Somente uma década depois foi possível colocar em prática atividade de extensão que envolvia a universidade e algumas escolas públicas da cidade, o Projeto Cultura Afro-brasileira nas Escolas (2000-2002).   

A intolerância religiosa estava documentada na historiografia e em periódicos jornalísticos local, descrita a partir da perspectiva intelectual dominante da época, de desqualificação e exclusão das culturas e populações afro-brasileiras.    

A cosmovisão centrada no se ver e se relacionar no mundo, vivida na existência cotidiana dos terreiros construiu reservas de proteção para suas comunidades, traduzidas em formas de acolhimento as pessoas de sua vizinhança e do próprio bairro. Em um sentido macro, o estabelecimento de relações estratégicas com sujeitos institucionais.  

O fato é que atualmente existe um aumento de casos, ou seja, do número de registros de intolerância religiosa no RN, conforme dados do Comitê Estadual de Intolerância Religiosa disponível na internet.

Também é fato o atual protagonismo das comunidades de terreiro, em particular de sua juventude, na articulação com as atividades públicas, redes sociais, com os poderes constituídos, a formação de coletivos.

É fundamental lembrar que do ponto da proteção legal, desde a Constituição Federal de 1988, existe um conjunto significativo de leis voltadas ao enfrentamento da intolerância religiosa e racismo religioso na sociedade brasileira.

Constituição Federal de 1988 – Artigo 5º (garante o direito à liberdade religiosa) e o Artigo 215 (que o Estado garantirá a todos o pleno exercício dos Direitos Culturais).

Lei número 9.459 de 1997, que trata a discriminação religiosa como crime.

No Estado do RN, algumas ações de enfrentamento ganham forma no trabalho desenvolvido pela Ouvidoria Estadual dos Direitos Humanos – RN, Ministério Público Estadual, a criação da Delegacia Especializada em crimes de racismo, intolerância e discriminação. A nível Federal, o Disque Direitos Humanos (Disque 100) do Governo Federal.

Continuando com o exemplo local, consideramos importante compartilhar sobre a produção e distribuição de Cartilhas: Cartilhas organizadas pela Polícia Militar do Estado do RN, sob a coordenação do Major Gleydson Dantas; Cartilha “Promoção à igualdade racial – conscientização antirracista” – OAB/RN 2023; Cartilha “Direitos dos povos tradicionais de matriz africana e ameríndia” – Mandato Isolda – 2024;

Concluindo, a hora é de colocar em prática ações efetivas, o amparo legal existe, conforme destacamos anteriormente. Proponho que pensamos um conjunto de ações como campanhas educativas antirracistas que informe, faça conhecer a religião e os amparos legais e que possam transversalizar questões conhecidas:

Lei 10.649 – 11.645/2003 – o estudo da história e cultura afro-brasileira e indígena;

Conselho tutelar da criança e adolescente;

Polícia Militar;

Trabalho de esclarecimento as comunidades de terreiro quanto aos direitos e como devem proceder em caso de intolerância, preconceito e racismo; 

Formalização da organização religiosa – criar um CNPJ;

Campanha educativa junto aos meios de comunicação e a imprensa em geral;

 

Para saber +

Jornal Saiba Mais (19 de novembro de 2025, Gil Araújo).

https://saibamais.jor.br/2025/11/audiencia-debate-intolerancia-religiosa-e-aponta-criacao-de-protocolo-de-denuncias/

 

 





sexta-feira, 31 de outubro de 2025

O diálogo com Sidarta Ribeiro


  

FLIPIPA - Feira Literária da Pipa, em sua nona edição foi realizada no período de 30/10-01/11, no município de Tibau do Sul – RN, reunindo nomes importantes da literatura e das artes potiguares e cenário nacional.  

No dia 31/10, às 09 horas, participei como mediador da Mesa Literária 1 – “Sonho, Telas e Memórias”, às 09 horas do dia 31/10 com o neurocientista Sidarta Ribeiro. O diálogo tomou por referência os livros publicados, entre os quais: “O oráculo da noite” (Cia. das Letras, 2019), “Sonho manifesto” (Cia. das Letras, 2022), “Limiar” (Cia. das Letras, 2020) e “As flores do bem” (Fósforo Editores, 2023).

Reconhecido professor, pesquisador, escritor, Sidarta Ribeiro é professor titular e um dos fundadores do Instituto do Cérebro da Universidade Federal do Rio Grande do Norte – UFRN. Para além das atividades acadêmicas, tem desempenhado uma ação muito importante de divulgação da ciência. Seu trabalho tem chegado a diversos espaços, mídias e suportes. Internet, cinema, teatro. Outro aspecto que é importante destacar, sua escrita e a palavra (ou a letra e a voz), uma linguagem acessível, com densidade científica, que chega ao público não acadêmico.

Embora o roteiro programado procure seguir o título da mesa, começo a perguntar sobre sua entrada na biologia, ainda na graduação. Não pretendo fazer uma linha do tempo, mas gosto de pensar as construções das trajetórias, dos caminhos. Escolhas. Conflitos.  

Cito uma frase do livro “Limiar” (p.23), quando expressa: “Nunca fui tão livre nem feliz na ciência quanto naqueles anos mágicos em que tudo parecia possível” (contexto do doutorado, em Nova York, 1995). Foi a deixa para saber sobre ciência e liberdade.

Sigamos para o tema do sonho, central em sua obra. Será possível traduzir em tão pouco tempo a importância da pesquisa sobre o sonho? Sidarta destaca que vai tomar o caminho da reflexão sobre o uso excessivo das telas na sociedade contemporânea. Fala enfaticamente sobre a urgência política do tempo presente.    

Diante de tantos riscos e questões que perpassa o tema “telas”, pergunto se é possível uma orientação para mães e pais. Insisto no tema do sonho e ressalto que li ou ouvi, não recordo, uma fala dele sobre a importância do dormir para o processo de aprendizagem. Na sala, uma presença forte de professoras e professores do ensino fundamental e médio interage com o professor.  

Antes de encerrar peço para falar sobre a cannabis, sobretudo porque existe mita desinformação. O tema tem relação com várias questões: a questão moral, a discriminação social, o tratamento da saúde, legislação, tema jurídico, etc. Essa discussão também é urgente, diz respeito a saúde a à vida. Existe avanço? como está a questão do acesso e a legislação?

O encontro chega aos minutos finais. Sidarta externa a vontade de responder perguntas do público. Ainda no palco, atende aos que desejam a lembrança do livro autografado.

 

Publicação da Agência Saiba Mais - ”Precisamos parar o sistema”: o alerta de Sidarta Ribeiro.

https://saibamais.jor.br/2025/10/precisamos-parar-o-sistema-o-alerta-de-sidarta-ribeiro/

quarta-feira, 29 de outubro de 2025

+ uma Tese Concluída

 

MOBILIDADE E AGÊNCIA ESPIRITUAL: TRANSNACIONALIZAÇÃO DAS RELIGIÕES AFRO-BRASILEIRAS EM MADRID A PARTIR DO ILÊ OGUM OIÁ AXÉ ODARA.

LORRAN LIMA DE ALMEIDA

(Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social – Departamento de Antropologia – PPGAS/DAN/UFRN)

 

RESUMO: Esta tese investiga como a mobilidade de pessoas e a agência de entidades espirituais influenciam a transnacionalização das religiões afro-brasileiras. O campo de pesquisa se concentra no Ilê Ogum Oiá Axé Odara, em Madrid, Espanha, onde se praticam Umbanda, Quimbanda e Batuque de Nação Jeje-Ijexá. Para alcançar o objetivo proposto, foi realizada uma etnografia orientada pela disposição em ser afetado pelo campo (Favret-Saada, 2005) e pela atenção às formas de habitar o mundo (Ingold, 2015), fundamentando-se na construção compartilhada do conhecimento. A partir das trajetórias do sacerdote Raul de Ogum e de seus deslocamentos entre Brasil, Uruguai e Espanha, a tese analisa como esses movimentos contribuíram para a formação religiosa e o fluxo das religiões afro-brasileiras. Nessa perspectiva, a análise adota a noção de movimento (Ingold, 2018). O terreiro, por sua vez, afirma-se como espaço de pertencimento, sustentado por doutrinas que atuam como pedagogias para garantir sua legitimação e a continuidade das práticas religiosas. A mobilidade de pessoas também é apresentada como fator importante na formação e consolidação do terreiro, pois é por meio dela que se configura a etnopaisagem (Appadurai, 2004) de praticantes cujas trajetórias convergem nesse espaço, enquanto a atuação do antropólogo é compreendida como parte dessa dinâmica, favorecendo a expansão das redes de contato. Por fim, a tese discute a agência das entidades espirituais como dimensão central na produção de vínculos, na expansão das redes e na consolidação do terreiro como espaço legítimo de experiência religiosa. A agência das entidades é pensada a partir do diálogo com os debates clássicos sobre agência (Gell, 2016; Ortner, 2007; Latour, 2012) e com as reflexões recentes sobre a vida social dos espíritos (Blanes e Espírito Santo, 2014). Conclui-se que a transnacionalização das religiões afro-brasileiras é formada tanto pelas trajetórias humanas quanto pela agência das entidades espirituais.

Palavras-chave: Antropologia da Religião; Religiões Afro-Brasileiras; Agência de Entidades Espirituais; Mobilidade; Transnacionalização.

Banca Examinadora:

Profa. Dra. Stefania Capone (CNRS, França/USP, Brasil)

Profa. Dra. Maria Clara Saraiva (ICS - Universidade de Lisboa, Portugal)

Profa. Dra. Lisabete Coradini (PPGAS/DAN/UFRN)

Profa. Dra. Eliane Tânia Martins de Freitas (PPGAS/DAN/UFRN)

Prof. Dr. Luiz Carvalho de Assunção (PPGAS/DAN/UFRN) – Orientador



 

 

 

quarta-feira, 15 de outubro de 2025

Rei Sebastião

 


O Grupo de Estudos Culturas Populares e Religiosidades (DAN/PPGAS/UFRN) convida para o ENCONTROS, a professora Sariza Caetano, do Programa de Pós-Graduação em Estudos de Cultura e Território da Universidade Federal do Norte do Tocantins (UFNT), que ministrará a palestra “Rei Sebastião: do Reino de Portugal para a Encantaria Amazônica”.

Data: 22 de outubro de 2025
Horário: 14h30
Local: Auditório C – CCHLA/UFRN

domingo, 5 de outubro de 2025

“Antropologia dos Arquivos” na Sala Zila Mamede

 

No post anterior escrevemos sobre a experiência da disciplina “Antropologia dos Arquivos” ao demonstrar o tratamento dado ao documento desde o processo inicial de restauração, conservação, digitalização até a fase do acondicionamento. Agora vamos compartilhar a atividade de conhecer a estrutura e organização de um arquivo específico. 

O termo arquivo se refere a “um tipo de instituição de guarda de documentos”, conforme se refere Celso Castro (2008). Os documentos podem ser manuscritos, livros, artefatos, registros audiovisuais, entre outros, no formato físico ou digital, organizados e mantidos sob a guarda de uma pessoa, um coletivo, uma entidade pública ou privada. 

Nossa aula-visita foi na Sala Zila Mamede, criada em 2016, em homenagem à memória de Zila da Costa Mamede (1928-1985). O espaço está localizado no setor de Coleções Especiais da Biblioteca Central Zila Mamede – UFRN, onde se encontra a coleção particular de livros e o arquivo documental da referida professora, escritora, poeta, bibliotecária, criadora do Sistema de Bibliotecas da UFRN e sua primeira diretora.   

O acervo de Zila Mamede, doado por sua família, é composto por sua coleção de livros (1.214 títulos), manuscritos (1.037), correspondências pessoais enviadas e recebidas, cartões postais, fotografias, agendas, álbuns de viagens, cadernos de estudos, documentos pessoais, diplomas, certificados, placas de homenagem, medalha de honra ao mérito, objetos, móveis originais, como um birô, cadeiras, estantes de livros e a máquina de escrever, entre outros itens.

A bibliotecária Angelike Silva apresentou e explicou a história da formação do acervo, o sistema de catalogação da coleção de livros e as normativas que orientam os procedimentos de organização que estrutura o arquivo.

Na observação dos documentos, alguns detalhes chamam atenção e diz respeito à organização de Zila, como o carimbo posto na primeira página de cada livro, onde se lê: “Biblioteca Particular de Zila Mamede – Natal – RN”. Entre os muitos exemplos é possível citar o livro com o registro do acervo que compõe sua biblioteca e o álbum de viagem em que vai registrando os diversos eventos que participa e, inclusive, guardando cartões, folhetos, tickets de compras e pagamentos realizados.    

Zila Mamede publicou: Rosa de Pedras (1953), Salinas (1958), O arado (1959), Exercício da palavra (1975), Navegos (Poesia reunida 1953-1978, incluído Corpo a Corpo (1978), A Herança (1984). Como obra de referência, publicou: Luís da Câmara Cascudo: 50 anos de vida intelectual: 1918-1968: bibliografia anotada, e, Civil Geometria: bibliografia crítica, analítica e anotada de João Cabral de Melo Neto, 1942-1982. 

A Sala Zila Mamede não é apenas um espaço em que se guarda cuidadosamente um acervo, mas a materialização do respeito à memória da escritora. Penso que deve ser tomado como exemplo por outras instituições. A propósito: você tem conhecimento de outros espaços arquivos na cidade? 







Fotografias: Fábio Oliveira.

Clique na foto para ampliar.

Alunas/os da disciplina “Antropologia dos Arquivos”:

Danielly Francisca do Nascimento, Ederson Marcos Teixeira, Eduardo da Costa Nascimento, Marcella Pâmella da Silva, Márcio Garcia de Lima, Pedro Henrique de Oliveira Silva, Rafael do Rosário Roque da Silva, Raul Porpino Paiva Araújo Costa, Rodrigo Franco Silva da Rocha, Rosiane Lucas Albino, Thayssa Nunes de Brito.

Estágio docente: Fábio Oliveira.

Para saber +    

Castro, Celso. Pesquisando em arquivos. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 2008.

Castro, Marize Lima de. Uma mulher entre livros: Zila Mamede e o silencioso exercício de semear bibliotecas. Dissertação. Mestrado em Educação. UFRN. Natal, 2004.

Figueiredo, Gildete Moura de. Cronologia sobre Zila Mamede (1953-1985). Pesq. Bras. em Ciências da Informação e Biblioteca. João Pessoa, v.14, n.3, p. 64-97, 2019.

Macêdo, Patricia Ladeira Penna; Cunha, Jacqueline Araújo. Contribuições do arquivo pessoal de Zila Mamede para a história da Biblioteca Central da Universidade Federal do Rio Grande do Norte. Acervo, Rio de Janeiro, v. 37, n. 1, p. 1-17, jan./abr. 2024.

Monteiro, Rejane Lordão. O bibliotecar de Zila Mamede. Pesq. Bras. em Ciências da Informação e Biblioteca. João Pessoa, v. 16, n.1, p.1-34, 2021.

 


sexta-feira, 26 de setembro de 2025

Antropologia dos Arquivos

 

A aula na noite desta quinta-feira foi no LABRE - Laboratório de Restauração e Conservação de Documentos - Departamento de História da UFRN, coordenado por Evanúcia Gomes de Oliveira. Trata-se do Seminário Especial de Antropologia, “Antropologia dos Arquivos”, uma das disciplinas que ministro atualmente para o curso de graduação em Ciências Sociais. Uma experiência nova, que tem por objetivo introduzir as/os discentes o tema dos arquivos e documentos como produtores de conhecimentos, como objeto de reflexão antropológica, mapeando seus principais autores, abordagens e temas de pesquisa. Pretende-se, ainda, problematizar os arquivos e suas relações com a etnografia e o trabalho de campo.  

A proposta do curso (60 horas/semestre) parte do projeto de pesquisa e extensão, sob minha coordenação e denominado “Arquivo Afro-Religioso: Memória e patrimônio das comunidades de terreiro – RN”, atividade vinculada ao Grupo de Estudos Culturas Populares e Religiosidades (UFRN/CNPq), em parceria com o Grupo de Articulação de Matriz Africana e Ameríndia GAMA e o Laboratório de Restauração e Conservação de Documentos LABRE.

Depois de vários encontros em sala-de-aula com a introdução temática sobre o que é um arquivo, sua instituição e seu sentido, nada mais oportuno do que conhecer o processo de tratamento do documento desde sua fase inicial, com a recuperação, restauração, digitalização, acondicionamento. Na ocasião as/os discentes também tiveram a oportunidade de conhecer diferentes tipos de documentos que estão em processos de trabalho no laboratório.

Para saber mais:

LABRE - Laboratório de Restauração e Conservação de Documentos - @labre_ufrn

Arquivo Afro-Religioso: Memória e patrimônio das comunidades de terreiro – RN

https://arquivoafroreligioso.cchla.ufrn.br/index.html

Fotografias: Fábio Oliveira.

Fases do Projeto “Arquivo Afro-Religioso” no LABRE:

 

Discentes da disciplina “Antropologia dos Arquivos” no LABRE:

 









quarta-feira, 27 de agosto de 2025

 

                                  Foto: Afonso Davim Oliveira

Muito honrado pela deferência do Centro Espírita de Umbanda Cabocla Anay ao me conceder o DIPLOMA POR RECONHECIMENTO, assinado por sua liderança, a Yalorixá Aldelícia Araújo.




O ano começa com HOMENAGENS

  O ano começa com HOMENAGENS: O Grupo de Articulação de Matriz Africana e Ameríndia do Rio Grande do Norte –  GAMA/RN  tem a honra de enc...